
Novo teste revela que computadores quânticos ainda estão longe de ser úteis
Benchmark criado por Sandia, Quantinuum e Nvidia comparou máquinas do Google, IBM e Quantinuum e mostrou que falta cerca de 100 mil vezes de desempenho para resolver problemas científicos reais.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Se o desempenho necessário para resolver problemas científicos reais fosse uma maratona de 42 km, os melhores computadores quânticos de hoje ainda estariam nos primeiros 400 metros. É essa a distância revelada por um novo benchmark batizado QUOPS (sigla para "Sistema Universal de Desempenho de Operações Quânticas"), criado pelo laboratório americano Sandia National Laboratories em parceria com a empresa de computação quântica Quantinuum e a fabricante de chips Nvidia, publicado como estudo em setembro.
O que já está confirmado
Diferente de testes anteriores, que mediam isoladamente número de qubits ou taxa de erro, o QUOPS avalia o sistema completo — incluindo compilação, correção de erros e mitigação de falhas — rodando circuitos aleatórios de complexidade crescente. Ele gera duas métricas: o tamanho do maior circuito que a máquina consegue executar com sucesso, e a velocidade de operações por segundo.
Os resultados: a Quantinuum Helios-1, que usa íons presos por campos eletromagnéticos, executou o maior circuito entre as três testadas, mas foi a mais lenta. Já os sistemas supercondutores Google Willow e IBM ibm_boston rodaram circuitos menores, só que numa velocidade muito maior — o Willow chegou a 20 milhões de operações por segundo, contra 310 mil do sistema da IBM. Ou seja: nenhuma tecnologia venceu em tudo, cada arquitetura tem uma vantagem diferente.
O que ainda é hipótese
O melhor resultado do teste ficou cerca de cinco ordens de grandeza — o equivalente a 100 mil vezes — abaixo do que os pesquisadores estimam ser necessário para tarefas científicas relevantes, como simular moléculas complexas ou quebrar criptografias como o RSA-2048. Essa é uma estimativa, não uma medição direta: ninguém sabe exatamente quanto desempenho será suficiente até que os problemas comecem a ser resolvidos de verdade.
O que falta responder
O estudo não indica quanto tempo deve levar para fechar essa distância, nem se a solução vai vir de mais qubits, de menos erros ou de arquiteturas totalmente novas. Também não fica claro se o ritmo de melhoria dos últimos anos — mais rápido que o esperado em alguns aspectos — vai se manter conforme os sistemas crescem em escala.