
NTangible quer prever o 'fator clutch' de atletas universitários dos EUA
A startup aplica um teste psicológico para gerar uma nota de 0 a 1.000 sobre como o atleta reage sob pressão. O produto já está em uso em 40 programas da NCAA.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O que a NTangible promete
A NTangible — startup que mede o quanto um atleta performa sob pressão, o chamado “fator clutch” — apresentou seu produto na Startup Battlefield da TechCrunch Disrupt 2026, em San Francisco, entre as 20 finalistas da competição. A empresa já está em uso em 40 programas da NCAA, incluindo Boston College e Florida Atlantic.
O fundador e CEO é Dan Connerty, ex-jogador profissional de beisebol que migrou para o sports-tech. O produto nasceu em parceria com o psicólogo Dr. Ed Levine, professor emérito da Universidade do Sul da Flórida, e conta com o ex-psicólogo esportivo da MLB Howie Schwartz como consultor de treinamento mental.
Foto: reprodução/techcrunch.com
Como funciona o teste
O núcleo do produto é o Clutch Factor, uma avaliação inspirada no Teste de Apercepção Temática, usado em psicologia. O atleta vê cenas ambíguas e descreve o que observa, quem imagina ser naquela situação e o que pode acontecer a seguir. As respostas passam por análise neurolinguística feita por psicólogos, gerando uma nota de 0 a 1.000.
Segundo Connerty, atletas com nota acima de 750 têm o dobro de chance de se comprometer com uma faculdade de Divisão I. A plataforma cobre testes em nove esportes, com o beisebol como foco principal — reflexo do histórico do próprio fundador.
Para além do campo
Foto: reprodução/techbuzz.ai
O relatório gerado para o atleta tem uma versão voltada ao treinador, o NTerpret, que traduz a nota em orientações de desenvolvimento e comunicação. A empresa já mira também o mercado corporativo: quer adaptar a mesma lógica para RH avaliar funcionários sob pressão.
No recrutamento universitário, a nota pode entrar em conversas sobre uso de nome, imagem e semelhança do atleta e bolsas de estudo — áreas onde times e agentes já disputam dados para embasar decisões.
O ponto frágil
A própria reportagem da TechCrunch aponta uma vulnerabilidade: atletas que querem impressionar recrutadores podem responder de forma pouco honesta para elevar a nota. Como o teste depende de autorrelato interpretado por humanos, não há mecanismo descrito contra esse tipo de manipulação.
Fica sem resposta se a NTangible vai validar a pontuação com dados de desempenho real em jogos de alta pressão, e não só com autorrelato, e também não há informação pública sobre receita, número de clientes pagantes ou se a empresa levantou rodada de investimento.