
Nubank aposta em fidelizar cliente, não em quem gasta mais no cartão
Em entrevista ao Tecnoblog, o vice-presidente Arthur Valadão detalha o NuCoin, novo programa de pontos que conecta todos os produtos do banco e mira reter os mais de 112 milhões de clientes da fintech.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
112 milhões de clientes é o número que o Nubank quer proteger
O Nubank já é a segunda maior instituição financeira do Brasil em número de clientes, com mais de 112 milhões de contas no país, segundo a Forbes. É esse patrimônio que a fintech agora tenta blindar com o NuCoin, o programa de pontos reformulado que o vice-presidente Arthur Valadão apresentou em entrevista exclusiva ao Tecnoblog. A lógica declarada por Valadão é direta: recompensar quem já usa o Nubank como banco principal, e não necessariamente quem gasta mais no cartão de crédito — uma distinção que separa estratégia de retenção de estratégia de receita por transação.
Como funciona o NuCoin
O programa passa a operar em cinco níveis, com avanço condicionado a hábitos como pagar faturas em dia e usar outros produtos do ecossistema. A cada R$ 100 gastos no cartão, o cliente ganha números para sorteios semanais, mensais e trimestrais — o primeiro, de R$ 500 mil, ocorreu em 30 de setembro, com apuração pela Loteria Federal. No total, R$ 2,075 milhões serão distribuídos em 1.471 prêmios até 30 de dezembro. Atraso de 15 dias ou mais no pagamento da fatura desqualifica o cliente da disputa pelos prêmios.
No nível 4, o benefício mais relevante é o acesso à Caixinha Turbo, que rende 115% do CDI. No nível 5, entram sorteios de experiências exclusivas, como ingressos para eventos do Nubank Parque. Marcas parceiras como Spotify, Shopee, Uber e O Boticário oferecem descontos dentro do programa.
Todos os produtos vão entrar no jogo
Valadão confirmou que "todos os produtos vão estar ligados ao NuCoin", incluindo o NuCel, serviço de telefonia móvel do banco que já passa de 1 milhão de assinantes. Quem usa a linha ganha uma Caixinha Turbo com rendimento ainda maior, de 120% do CDI, e o executivo sinalizou novos lançamentos para a frente de celular em breve. Investimentos ainda não geram pontos, mas o regramento da promoção já reserva espaço para essa integração futura — um indício de que o próximo capítulo do programa deve mexer na carteira de aplicações dos clientes.
A régua de comparação é o Itaú
A formatação em níveis lembra o Minhas Vantagens, do Itaú, maior banco privado do país em ativos, mas a semelhança para por aí: enquanto o programa do Itaú converte pontos em milhas aéreas ou descontos, o NuCoin trata pontuação como mecânica de progressão, sem conversão direta em prêmios financeiros. Valadão disse que o desenho nasceu de pesquisa com clientes, não de benchmarking com concorrentes. Na prática, o movimento tenta resolver um problema conhecido de bancões digitais que amadurecem: reter a base depois que o crescimento por aquisição desacelera. Quem ganha é o cliente multiproduto, que já concentra cartão, conta e celular no Nubank; quem perde terreno relativo são os programas de recompensa tradicionais, construídos em torno de gasto e milhagem.