
Nubank estreia nos EUA e lança conta multimoeda para 35 países
Com o Nu Global, o Nubank passa a movimentar dinheiro em mais de 35 países via stablecoins, enquanto estreia operação bancária própria nos Estados Unidos. O movimento mira o mercado global de remessas e contas em dólar.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
35 países é o número que muda o jogo do Nubank
A partir de hoje (10/09), o Nubank passa a movimentar dinheiro em mais de 35 países. É esse o alcance do Nu Global, a nova conta multimoeda anunciada pela companhia junto com a estreia oficial de sua operação nos Estados Unidos. O lançamento simultâneo não é coincidência: é a confirmação de que o roxinho decidiu jogar a ficha da internacionalização com tudo.
Como funciona o Nu Global
Foto: reprodução/mobiletime.com.br
Na prática, os depósitos feitos na conta são convertidos em USDC ou EURC — stablecoins atreladas ao dólar e ao euro, respectivamente. O rendimento anunciado é de 3,5% ao ano para o saldo em USDC e 2,2% ao ano para o EURC. Inicialmente, as transferências sem taxas funcionam entre Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos, com a promessa de expansão gradual até cobrir os mais de 35 países prometidos. O produto ainda inclui cartão virtual Mastercard para uso internacional sem tarifa de conversão e a possibilidade de negociar Bitcoin e Ethereum pelo aplicativo.
A entrada nos EUA não é só simbólica
O Nu Global chega junto com o início efetivo das operações bancárias do Nubank em solo americano, via parceria com o Lead Bank, instituição membro do FDIC. Por ali, a companhia oferece a Nu Account, com rendimento de 3,5% ao ano em dólar, e um cartão de crédito sem anuidade e com 1,5% de cashback ilimitado — patamar que pode subir para 2% no futuro. A operação roda em parceria enquanto o Nubank aguarda a conclusão de sua própria licença bancária no país: a aprovação condicional já foi concedida pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC) em janeiro de 2026, mas a autorização final ainda depende do aval do Federal Reserve e de outros reguladores.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha, num primeiro momento, é o próprio Nubank: a combinação de conta em dólar, cashback agressivo e movimentação internacional sem tarifa mira diretamente o brasileiro que vive fora, o latino nos EUA e o cliente que já usa a marca no Brasil e no México. Do outro lado, bancos digitais americanos voltados a imigrantes e remessas internacionais sentem a pressão de um concorrente que já testa sua capacidade de escala em mais de 100 milhões de clientes na América Latina. Resta saber se a promessa de "zero taxa" em 35 países vai se sustentar quando a operação sair do papel e enfrentar a burocracia regulatória de cada mercado.