Nubank tira mais um grátis do Ultravioleta: seguro contra fraude agora tem mensalidade
O banco passou a cobrar R$ 19,99 por mês pelo 'Ultravioleta Protegido', seguro contra fraudes cibernéticas e roubo de itens pessoais que antes vinha incluído sem custo no cartão premium. É mais um item que sai da lista de benefícios gratuitos do cartão black do Nubank.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O que era grátis agora custa R$ 19,99 por mês
O Nubank encerrou mais um benefício sem custo do cartão Ultravioleta. A proteção contra fraudes cibernéticas e roubo de itens pessoais, que até então acompanhava o cartão premium sem cobrança adicional, virou um produto separado chamado "Ultravioleta Protegido", vendido por R$ 19,99 mensais.
Antes, o benefício gratuito se chamava Proteção de Transações Digitais e cobria transações não autorizadas feitas em até 24 horas após roubo, furto, extorsão mediante coação ou sequestro, em qualquer lugar do mundo, com limite de até R$ 30 mil por ano e teto de dois eventos por CPF. Ao empacotar essa cobertura num seguro pago, o Nubank também ampliou o escopo, incluindo proteção para itens pessoais como bolsa e mochila — mas o preço não é mais zero.
Mais um corte na lista do cartão black
A mudança no seguro é só o capítulo mais recente de uma sequência de cortes no Ultravioleta ao longo de 2025 e 2026. Em setembro de 2025, o banco encerrou o cashback automático de 200% do CDI, um dos principais atrativos do cartão desde o lançamento, substituindo o modelo por um sistema de pontos. Em abril de 2026, foi a vez do acesso gratuito à Max (antiga HBO Max) sair da lista de mimos: o plano básico com anúncios, que era cortesia do banco, passou a ser cobrado à parte, embora o Nubank tenha recuado parcialmente e oferecido o benefício de graça por mais 12 meses para clientes já ativos.
Quem ganha e quem perde
Para o Nubank, transformar benefícios inclusos em produtos avulsos é uma forma direta de gerar receita adicional recorrente sobre uma base de clientes de alta renda, que já paga anuidade para manter o cartão. Cada seguro, assinatura de streaming ou proteção que sai do pacote "grátis" e vira add-on mensal soma faturamento extra sem exigir a aquisição de novos clientes.
Já o cliente Ultravioleta sai perdendo em previsibilidade e valor percebido: o cartão que se vendia como pacote completo de mordomias para o público de alta renda vai, aos poucos, empurrando cada vez mais itens para fora da anuidade. Quem quiser manter a mesma cobertura de antes contra fraude e roubo de itens pessoais agora precisa somar R$ 19,99 por mês à conta — um custo que não existia até este corte.
O que fica de olho
A tendência de desmontar benefícios gratuitos do Ultravioleta peça por peça levanta a dúvida sobre até onde o Nubank vai reduzir o pacote do cartão premium sem mexer no valor da anuidade cobrada dos clientes. Cada novo corte tende a gerar reclamações de clientes que se sentiram atraídos pelo cartão exatamente pelos benefícios que agora desaparecem ou passam a ser cobrados.