
Nvidia amplia recompra de ações para US$ 235 bi com boom de IA
A Nvidia aprovou nova recompra de US$ 150 bilhões (R$ 795 bilhões) em ações, elevando o programa total para US$ 235 bilhões — o maior já registrado nos Estados Unidos — enquanto a demanda por chips de IA segue disparando.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 150 bilhões é o cheque que a Nvidia acaba de assinar
A Nvidia, fabricante de chips que virou a maior beneficiária direta do boom de inteligência artificial, aprovou uma nova autorização de recompra de ações de US$ 150 bilhões — cerca de R$ 795 bilhões na cotação atual. Somado ao que já estava em andamento, o programa total de recompra salta para US$ 235 bilhões, o equivalente a R$ 1,25 trilhão, o maior já registrado por uma empresa nos Estados Unidos.
Múltiplo que só faz sentido com a régua da IA
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O movimento só é possível porque a Nvidia está colhendo, em caixa, o resultado direto da corrida por poder computacional para treinar e rodar modelos de IA. A receita do segundo trimestre somou US$ 96,2 bilhões (R$ 510 bilhões), e a empresa projeta US$ 108 bilhões (R$ 572 bilhões) para o terceiro trimestre — um crescimento de 90% na comparação anual. Com valor de mercado de US$ 5,4 trilhões (R$ 28,6 trilhões), a Nvidia hoje pesa tanto que qualquer decisão sobre uso de caixa move o índice acionário americano como um todo. Recomprar ações nesse ritmo é uma forma de dizer ao mercado que a empresa não vê, no curto prazo, uso melhor para esse dinheiro do que devolvê-lo a quem já é acionista — sinal de confiança, mas também de que a companhia não depende de captação externa para financiar sua própria expansão.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é o acionista da Nvidia: recompra em escala recorde tende a sustentar o valor da ação ao reduzir o número de papéis em circulação, especialmente relevante num momento em que a empresa já opera como um dos maiores investidores do próprio ecossistema de IA, com participações em 13 companhias listadas em bolsa e 229 empresas privadas, retorno que já supera três vezes o capital investido nessas apostas. A Nvidia também garantiu financiamento de até US$ 500 bilhões (R$ 2,65 trilhões) para data centers de clientes e fechou contratos de locação de longo prazo de cerca de US$ 20 bilhões (R$ 106 bilhões), o que amarra ainda mais sua sorte à da infraestrutura de IA que ela mesma ajuda a viabilizar.
Quem sai em desvantagem é quem aposta contra a continuidade do ciclo de gastos em IA: o tamanho da recompra sinaliza que a própria Nvidia não vê, por ora, sinais de desaceleração na demanda por seus chips. O CEO Jensen Huang resumiu o raciocínio: "nossa geração de caixa nos dá a capacidade de investir nas tecnologias que impulsionam essa transformação e devolver capital aos acionistas" — uma frase que tenta equilibrar dois públicos, o investidor que quer retorno agora e o mercado que quer ver a empresa seguir apostando no próprio ecossistema.