Nvidia bate recorde e se aproxima de US$ 6 trilhões em valor de mercado
Ações da Nvidia fecharam em alta nesta sexta-feira, levando o valor de mercado da empresa a cerca de US$ 5,7 trilhões, impulsionada pelo otimismo com agentes de IA como o Meta Muse.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A Nvidia encostou em US$ 6 trilhões de valor de mercado, atingindo cerca de US$ 5,7 trilhões após suas ações fecharem em alta nesta sexta-feira (2), com valorização entre 1,3% e 2,9% ao longo do pregão — os papéis chegaram a tocar um recorde intradiário de US$ 237,88 antes de fechar a US$ 233,95. É a maior cotação da empresa desde maio, e a companhia está a menos de US$ 300 bilhões de se tornar a primeira do mundo a cruzar a marca histórica de US$ 6 trilhões.
Por que a ação disparou
O gatilho da vez foi o entusiasmo do mercado com agentes de inteligência artificial, com destaque para o Muse, da Meta, lançado no início de setembro. O assistente é projetado para executar tarefas em nome do usuário, com acesso a e-mail, agenda, pagamentos, saúde, compras e dispositivos de casa inteligente, e já teria superado 3 milhões de usuários semanais e 5 milhões de downloads. O bom desempenho do produto reacendeu a aposta de investidores em empresas que fornecem a infraestrutura por trás da corrida de IA — data centers, CPUs e, principalmente, os chips da própria Nvidia.
A companhia também colhe os frutos de resultados financeiros robustos: no primeiro trimestre do ano fiscal, a Nvidia registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões, alta de 85% na comparação anual, puxada pela demanda por seus chips de IA. Em 28 de setembro, a empresa ainda anunciou um programa recorde de recompra de ações de US$ 150 bilhões, com US$ 235 bilhões autorizados até o ano fiscal de 2028. No acumulado de 2026, a ação sobe cerca de 25% a 27%, caminhando para o quarto ano seguido de ganhos de dois dígitos — depois de ter subido mais de 20% desde a mínima registrada no fim de julho, quando o mercado chegou a questionar os investimentos bilionários em IA.
Quem ganha com a alta
Se a marca de US$ 6 trilhões for confirmada, a Nvidia vira a primeira empresa da história a alcançá-la, superando o próprio recorde que ela estabeleceu ao ultrapassar os US$ 5 trilhões meses antes — folga em relação a companhias como Apple, Microsoft e a própria Meta, que já romperam a casa dos US$ 3 trilhões em algum momento. Os principais beneficiados diretos são os acionistas da fabricante de chips e o próprio Jensen Huang, fundador e CEO, cuja fatia na empresa também engorda a cada novo recorde. Indiretamente, a valorização reforça a tese de que a corrida por infraestrutura de IA — de data centers a agentes como o Muse — ainda tem fôlego para sustentar múltiplos elevados no setor de tecnologia.