
Nvidia fecha com seis gigantes de Wall Street para levantar R$ 2,5 tri
Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR assinaram memorandos com a Nvidia para criar plataformas de financiamento de capacidade computacional, mobilizando mais de US$ 500 bilhões de capital de terceiros.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 500 bilhões é o número que Jensen Huang colocou na mesa
A Nvidia fechou memorandos de entendimento com seis das maiores gestoras e bancos de investimento do mundo — Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR — para criar plataformas de financiamento dedicadas à infraestrutura de inteligência artificial. A meta é mobilizar mais de US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,5 trilhões) em capital de terceiros ao longo do tempo, segundo comunicado oficial da fabricante de chips e reportagens da Bloomberg, CNBC e Axios que confirmam valores e nomes das instituições.
A escala do negócio
Foto: reprodução/nvidianews.nvidia.com
O valor equivale a mais da metade dos US$ 730 bilhões (R$ 3,7 trilhões) que o setor de tecnologia deve investir globalmente em 2026, segundo estimativas citadas na apuração. Na prática, a Nvidia está tentando transformar capacidade computacional — os data centers e clusters de GPUs que sustentam a corrida da IA — em uma nova classe de ativo financeiro, ao lado de imóveis comerciais e infraestrutura de pedágios, algo que possa ser usado como garantia para captar dívida em escala.
Segundo Jensen Huang, CEO da Nvidia, a empresa procurou apenas essas seis instituições e nenhuma recusou o convite — um sinal do apetite do mercado financeiro por exposição à demanda de IA sem precisar comprar ação da própria Nvidia.
Foto: reprodução/cnbc.com
Quem ganha
As gestoras entram numa fatia recorrente e de longo prazo: em vez de apostar só na valorização das ações da Nvidia, Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR passam a estruturar dívida e outros instrumentos atrelados ao uso da infraestrutura, com contratos que tendem a durar anos. Jim Zelter, presidente da Apollo, resumiu a lógica ao afirmar que a "computação moderna emergiu como um ativo escasso e crítico com características de investimento atraentes". Para a Nvidia, o benefício é destravar gargalo de capital: hoje a demanda por GPUs supera a capacidade de clientes — de nuvens a governos — financiarem novos data centers sozinhos.
O risco que ronda o acordo
O movimento reacende um debate incômodo sobre financiamento circular na cadeia de IA: fornecedores como a Nvidia cada vez mais bancam, direta ou indiretamente, a capacidade que os próprios clientes usam para comprar seus produtos. Reportagens internacionais apontam ainda que a Nvidia poderia atuar como garantidora de parte desses financiamentos, o que aumentaria sua exposição caso a demanda por IA desacelere. As plataformas ainda dependem de acordos definitivos e não há cronograma fechado de desembolso — o anúncio de 10 de agosto formaliza a intenção, mas a arquitetura final dos contratos segue em negociação.