
Nvidia negocia investir na Mercor, que pode dobrar valor para R$ 103,6 bi
A Nvidia avalia aportar recursos na Mercor, startup de dados para treinamento de IA, em rodada liderada pela General Catalyst que pode elevar a avaliação da empresa a US$ 20 bilhões (R$ 103,6 bilhões) — o dobro do valor de outubro de 2025.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 20 bilhões: a conta que dobrou em nove meses
A Nvidia está em negociações para investir na Mercor, startup especializada em fornecer e preparar dados para o treinamento de modelos de inteligência artificial. A rodada em discussão pode elevar a avaliação da empresa a US$ 20 bilhões — cerca de R$ 103,6 bilhões na cotação atual —, o dobro dos US$ 10 bilhões atribuídos à companhia em outubro de 2025, quando captou US$ 350 milhões em uma rodada Series C. O tamanho exato da contribuição da Nvidia e os termos finais do aporte ainda não foram fechados.
Quem está na mesa
Foto: reprodução/pymnts.com
A rodada será liderada pela General Catalyst, já investidora da Mercor, com a Nvidia entrando como novo aportador. Segundo apuração do Olhar Digital, a movimentação também é discutida por outras fontes do mercado americano, que apontam negociações para uma captação de até US$ 500 milhões no novo ciclo. Não é a primeira aproximação entre as duas empresas: a Nvidia já é cliente da Mercor e pagou dezenas de milhões de dólares à startup no último trimestre para obter dados especializados usados no treinamento dos modelos de código aberto da linha Nemotron.
O que a Mercor vende
A Mercor conecta empresas a especialistas humanos — advogados, profissionais de finanças, cientistas — para produzir dados de alta qualidade usados no treinamento de modelos de IA. É um modelo que se tornou estratégico à medida que as grandes desenvolvedoras de IA generativa esgotam fontes convencionais de dados na internet e passam a depender de conteúdo especializado, revisado e validado por humanos. Além da Nvidia, a lista de clientes da Mercor inclui nomes como OpenAI, Google e Anthropic, o que evidencia o quanto essa camada de "trabalho humano para treinar máquinas" virou peça central da cadeia de valor da IA.
Quem ganha com o movimento
Para a Nvidia, o aporte reforça uma estratégia de investir ao longo de toda a cadeia do ecossistema de IA — não só em chips, mas em quem alimenta os modelos que rodam sobre eles. A empresa já investiu bilhões de dólares em startups do setor nos últimos trimestres. Para a Mercor, a validação de um cliente-investidor do peso da Nvidia tende a facilitar novas rodadas e a consolidar sua posição frente a concorrentes no mercado de dados anotados para IA, num momento em que a demanda por dados especializados de qualidade só cresce — e negociações como esta ainda podem mudar de valor até serem formalizadas.