
Nvidia projeta US$ 108 bi em receita trimestral e mira clube bilionário
Guidance da fabricante de chips para o próximo trimestre supera em folga as estimativas de analistas e aproxima a empresa do seleto grupo de gigantes que já faturaram US$ 100 bilhões em três meses, como Alphabet e Apple.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
US$ 108 bilhões. Essa é a projeção de receita da Nvidia para o próximo trimestre fiscal, divulgada junto ao balanço da companhia nesta quarta-feira (26/8) — variação de 2% para mais ou para menos. O número vem acima do que Wall Street esperava: analistas projetavam algo entre US$ 104 bilhões e US$ 104,2 bilhões, segundo o Coindesk.
Um trimestre que já dobrou
A projeção otimista não vem do nada. No trimestre recém-encerrado, a receita da Nvidia praticamente dobrou na comparação anual, alcançando US$ 96,22 bilhões — acima da própria estimativa de mercado, de US$ 92,17 bilhões. O segmento de data centers, motor do negócio de IA da empresa, também mais que dobrou, batendo US$ 89 bilhões ante expectativa de US$ 85,08 bilhões. A margem bruta ajustada projetada para o próximo trimestre é de 74%.
O clube dos US$ 100 bilhões
Se a Nvidia cumprir a projeção, entra em um grupo raro de empresas que já registraram US$ 100 bilhões ou mais de receita em um único trimestre. Até aqui, esse patamar trimestral já foi alcançado por nomes como Alphabet — que bateu a marca pela primeira vez em outubro de 2025 — e Apple, que teve receita de US$ 109,4 bilhões em seu trimestre mais forte de junho. A Amazon também está entre as poucas companhias americanas capazes de faturar nessa magnitude em três meses. A diferença é que, para essas empresas, a receita vem de ecossistemas diversificados — nuvem, publicidade, hardware, varejo. Para a Nvidia, vem majoritariamente da venda de chips para um único boom: o de infraestrutura de IA.
Quem ganha e quem sente a pressão
O principal beneficiado imediato é o próprio mercado de ações da Nvidia, que segue validando a tese de que a demanda por chips de IA ainda não desacelerou. Do lado oposto, a métrica aumenta a régua de comparação para rivais como AMD e para as próprias big techs que compram os chips (caso de Amazon, Microsoft e Google), pressionadas a mostrar que o retorno sobre o investimento bilionário em infraestrutura de IA está de fato se traduzindo em receita — e não apenas em capex.