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Mercado19 de set. de 2026, 11:01

Nvidia quer dobrar venda de chips em 2027 com demanda de IA disparada

Jensen Huang projeta a primeira duplicação de volume da história da empresa, enquanto o mercado já reagiu à previsão de crescimento de 70% na receita do ano fiscal de 2028.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

70%. Foi o crescimento de receita que a Nvidia projetou para o ano fiscal encerrado em janeiro de 2028 — bem acima da média de 44% que analistas esperavam. A previsão veio da CFO Colette Kress, em teleconferência de resultados no fim de agosto, e foi reforçada nesta semana pelo CEO Jensen Huang, que disse esperar vender o dobro de chips em 2027 na comparação com este ano — a primeira vez que a empresa dá esse tipo de projeção com um ano de antecedência.

Por que a demanda não para

Huang fez a declaração à margem de uma cúpula de tecnologia na Escócia, ao lado do rei Charles III, citando a adoção de IA em "diferentes indústrias, diferentes economias" como motor do crescimento. O apetite já aparece em contratos concretos: a Amazon, dona da AWS, fechou acordo para comprar 2 milhões de GPUs adicionais da Nvidia entre 2027 e 2028, depois de a fabricante já ter entregado 6 milhões de unidades do chip Blackwell em quatro trimestres. No último resultado trimestral, a receita da Nvidia dobrou para US$ 96 bilhões, superando as estimativas do mercado.

O que trava o crescimento

Segundo analistas de mercado, os 70% de crescimento previstos não refletem falta de demanda, e sim um teto de oferta — a Nvidia esbarra principalmente em restrições de memória para fabricar mais chips. Sem essa limitação, dizem as estimativas, a receita poderia crescer perto de 140% no mesmo período, já que os pedidos dos clientes apontam para a duplicação total do volume vendido.

Foto: reprodução/cfodive.com

Quem ganha e quem perde

Esse ritmo de crescimento reforça a posição da Nvidia como fornecedora dominante de chips para treinar e rodar modelos de IA, à frente de rivais como AMD e a chinesa Huawei, que corre para reduzir a distância tecnológica. Para clientes como Amazon, Microsoft e Google, a disputa por capacidade de fabricação da Nvidia significa continuar reservando chips com anos de antecedência — o que também os deixa mais expostos a qualquer atraso na produção.

O que falta responder

A Nvidia não detalhou como pretende resolver o gargalo de memória citado pelos analistas, nem se fornecedores de memória como Samsung, SK Hynix e Micron conseguem acompanhar o ritmo de demanda sem novos aumentos de preço repassados aos clientes finais.

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