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MercadoIA30 de ago. de 2026, 01:38

Nvidia troca poder bruto por tráfego inteligente para manter reinado da IA

A Vera CPU já entrega até 3x mais desempenho em operações de dados dentro da nova arquitetura Vera Rubin, enquanto a fatia da Nvidia em switches Ethernet de data center saltou de menos de 4% para 21,5% em dois anos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que muda o jogo

A Nvidia divulgou que a nova Vera CPU, peça central da arquitetura Vera Rubin, proporciona "upwards of 3x improvement" em operações de movimentação de dados dentro do servidor, segundo Jason Hardy, VP de Armazenamento da empresa. O ganho não vem de mais poder bruto de GPU — vem de como os dados circulam entre os componentes. É esse deslocamento de foco, da capacidade de processamento para o controle de tráfego, que está redesenhando a briga pela liderança em infraestrutura de IA.

Por que a GPU deixou de ser suficiente

Foto: reprodução/idc.com

Com data centers de IA operando na escala de gigawatts, o gargalo real passou a ser a orquestração de dados entre milhares de chips, não a potência isolada de cada GPU. Hardy resume o motivo de a Nvidia investir pesado em CPU e interconexão: "there's only so much memory that you can put in a single server" — ou seja, sem um sistema eficiente para mover dados entre servidores, a memória limitada de cada máquina vira teto de desempenho. A resposta da Nvidia foi empacotar a GPU Rubin, a Vera CPU e o acelerador de inferência Groq 3 LPX em um mesmo sistema, conectados por NVLink-C2C, interconexão coerente de memória que elimina fronteiras tradicionais entre CPU e GPU.

Quem ganha e quem perde

A estratégia já aparece nos números de mercado: a Nvidia se tornou a maior fornecedora de switches Ethernet para data centers, com receita trimestral de US$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — alta de 193% na comparação anual — e fatia de mercado que saltou de menos de 4% há dois anos para 21,5% agora, puxada pela plataforma Spectrum-X. O avanço pressiona a Broadcom, que lidera em silício customizado e switches Ethernet e já lançou o Tomahawk 6 de 102,4 Tbps antes do concorrente Spectrum-X1600 da própria Nvidia, ainda previsto só para o segundo semestre de 2026. Do outro lado, hyperscalers como Amazon, Google e OpenAI — que testa a abordagem alternativa do chip Jalapeño, focado em minimizar o deslocamento de dados — seguem apostando em silício próprio para reduzir a dependência da Nvidia.

O que fica

A capitalização da Nvidia multiplicou por dez entre o início de 2023 e meados de 2025, mas as ações caminham de forma mais modesta desde então. O mercado já precificou a liderança em GPU; o próximo capítulo da disputa competitiva — e da margem da empresa — deve se decidir na engenharia de rede que conecta milhares de chips como se fossem um único computador.

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