
NYC proíbe uso de IA por alunos até o ensino médio, diz prefeito Mamdani
Prefeito Zohran Mamdani anunciou moratória de um ano para ferramentas de inteligência artificial em salas de aula, atingindo cerca de 600 mil estudantes do 2º ano ao 8º ano em Nova York.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
Uma pausa de um ano para respirar
Imagina proibir a calculadora até o ensino médio para garantir que o aluno aprenda a fazer conta de cabeça primeiro. Foi mais ou menos essa lógica que a prefeitura de Nova York aplicou à inteligência artificial. O prefeito Zohran Mamdani, que assumiu a cidade defendendo pautas de proteção à infância digital, anunciou uma moratória de um ano para o uso de IA generativa em salas de aula, valendo para estudantes do 2º ano (a partir dos 7 anos) até o 8º ano (por volta dos 13-14 anos). Na prática, chatbots, tutores de IA e softwares que interagem diretamente com o aluno ficam fora da sala de aula nesse período. A rede afetada é a maior dos Estados Unidos, com cerca de 600 mil estudantes na faixa etária coberta pela proibição.
O que muda, sala por sala
Foto: reprodução/theverge.com
A política, detalhada pela secretaria municipal de Educação, é escalonada por idade. Do pré-escolar ao 2º ano, ficam banidos os dispositivos individuais — só lousas digitais compartilhadas em sala. Do 3º ao 5º ano, ferramentas de IA voltadas ao aluno estão proibidas e o tempo de tela individual é limitado a 30 minutos por dia. Do 6º ao 8º ano, a mesma proibição de IA vale, com limite de 45 minutos de tela. Já no ensino médio, a IA continua liberada, com uso restrito a programas-piloto e aulas de letramento digital. Avaliações padronizadas em computador, alunos com deficiência e estudantes aprendendo inglês como segunda língua têm exceções previstas.
Dois lados da mesma sala de aula
De um lado, pais organizados em petições e a federação americana de professores, sindicato que representa educadores em todo o país, vinham pressionando por essa pausa, alegando que crianças pequenas precisam de interação humana e aprendizado prático antes de terceirizar raciocínio para um algoritmo. Do outro lado, empresas de tecnologia educacional argumentam que ferramentas de IA bem desenhadas podem personalizar o ensino e ajudar alunos com dificuldades específicas — e que uma proibição geral joga fora experiências que já mostravam resultado. A prefeitura reconhece que errou na primeira tentativa de regular o tema, mais permissiva, e agora promete usar o próximo ano letivo para estudar o impacto real da tecnologia antes de decidir os próximos passos. Fica a pergunta que vale para qualquer escola no Brasil observando o caso: banir é proteger ou é só adiar um debate inevitável?