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Segurança13 de set. de 2026, 11:49

NYT revela CSAM no X e mostra que Grok gerou imagens de abuso infantil

Investigação do New York Times encontrou imagens sexuais de menores geradas por IA circulando no X, incluindo criações do Grok. X afirma ter 'zero tolerância' e diz colaborar com autoridades.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma investigação do jornal The New York Times identificou que o X (antigo Twitter) continua exibindo imagens sexuais de menores de idade geradas por inteligência artificial, mesmo com os filtros automatizados que a plataforma diz manter. Usando software próprio de rastreamento, o jornal encontrou mais de 75 imagens desse tipo circulando na rede apenas no primeiro semestre do ano, algumas acumulando centenas de visualizações antes de serem removidas.

O levantamento também aponta o envolvimento direto do Grok, o assistente de inteligência artificial da xAI (empresa de Elon Musk) integrado ao X. Segundo o Centro Canadense de Proteção às Crianças (Canadian Centre for Child Protection, organização que monitora e combate a exploração infantil online), o Grok atendeu a pedidos de usuários para gerar imagens sexualizadas de crianças, incluindo casos envolvendo vítimas já identificadas anteriormente por autoridades policiais. O episódio se soma a um histórico de falhas do X e do Grok na contenção de deepfakes não consentidos, que já haviam motivado investigações de órgãos reguladores em diferentes países.

Procurado, o X afirmou ter "zero tolerância" a material de abuso sexual infantil e disse utilizar filtros automatizados para identificar e remover esse tipo de conteúdo. A empresa informou ainda ter denunciado mais de 780 mil contas e reportado mais de 1,3 milhão de imagens ao centro de referência nos Estados Unidos responsável por esse tipo de crime, o que teria resultado em mais de 500 prisões.

Quem é afetado

O problema atinge diretamente crianças e adolescentes cujas imagens podem ser manipuladas ou usadas como base para conteúdo sexualizado gerado por IA, muitas vezes sem que familiares ou responsáveis tenham conhecimento. Também são afetados usuários da plataforma expostos, ainda que involuntariamente, a esse tipo de material, além de vítimas de casos anteriores de abuso que podem ser revitimizadas quando suas imagens voltam a circular em novas formas.

O que muda agora

A reportagem do NYT aumenta a pressão sobre X e xAI para reforçar mecanismos de moderação e bloqueio de geração desse tipo de conteúdo por IA. Casos como esse reforçam a importância de mecanismos externos de denúncia e fiscalização, já que a moderação automatizada das plataformas, por si só, não tem sido suficiente para impedir a circulação desse material.

Ações práticas

  • Denuncie diretamente no X: use a opção "Denunciar post" > "Material de exploração infantil" disponível no menu de cada publicação.
  • Acione a SaferNet Brasil: pelo site safernet.org.br ou pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, canal brasileiro de referência para esse tipo de crime.
  • Disque 100: linha do governo federal para denúncias de violação de direitos de crianças e adolescentes, incluindo exploração sexual online.
  • Não compartilhe nem salve o conteúdo, mesmo para "provar" a denúncia — isso pode configurar crime; apenas registre o link ou print da página e denuncie pelos canais oficiais.
  • Procure a polícia especializada: delegacias de crimes cibernéticos ou de proteção à criança e ao adolescente podem registrar boletim de ocorrência formal.
  • Ative controles parentais e revise configurações de privacidade de contas de menores nas redes sociais para reduzir exposição a esse tipo de conteúdo.
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