
O cemitério da IA: pelo menos 7 produtos que não sobreviveram
De Sora, da OpenAI, ao Humane AI Pin, um levantamento do TechCrunch reúne os projetos de inteligência artificial que fecharam ou decepcionaram desde 2025.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Sete nomes, um padrão
Pelo menos sete produtos e startups de IA de peso saíram do mercado ou tropeçaram em público nos últimos dois anos, segundo levantamento do TechCrunch. O padrão se repete: lançamento cercado de expectativa, meses de uso real, e o encerramento silencioso.
Quem fechou
O Sora, serviço de compartilhamento de vídeos gerados por IA da OpenAI, foi desligado em março de 2026 por custo operacional alto e baixa retenção de usuários. O ChatGPT Atlas, navegador com IA embutida da mesma empresa, durou menos de um ano antes de ser descontinuado em agosto.
A Humane, startup fundada por ex-funcionários da Apple que lançou o acessório vestível AI Pin com mais de US$ 230 milhões captados, enfrentou problemas de desempenho e risco de incêndio na bateria — seus ativos foram vendidos à HP por US$ 116 milhões, e o dispositivo parou de funcionar para quem já tinha comprado. Já a Character.ai, plataforma de chatbots com personagens de IA, encerrou operações em outubro de 2026, cinco anos depois do lançamento.
A Yupp, startup que reunia mais de 800 modelos de IA em um só playground para comparação, fechou em março por falta de product-market fit. O Notion Mail, cliente de e-mail com IA integrada da Notion, foi descontinuado em setembro depois que usuários passaram a preferir agentes de IA separados em vez do produto nativo.
Quem tropeçou sem fechar
Nem todo caso é um fechamento. A Apple levou anos de atrasos para lançar a atualização de IA da Siri — quando saiu, em beta, em julho de 2026, a empresa já enfrentava um acordo de US$ 250 milhões por marketing considerado enganoso sobre o recurso no iPhone 16. A OpenAI também recuou rápido do “super app” que tentou unir chat, Codex e ferramentas de trabalho numa interface só, revertido em julho depois de reclamações de usuários confusos com a mudança.
O que isso diz sobre o mercado
Entre fechamentos e recuos, o fio comum é a dificuldade de transformar demonstração em produto que as pessoas usam todos os dias — e continuam pagando para usar depois que a novidade passa.