
O custo invisível dos sistemas legados: quando o passado trava o crescimento
Sistemas de TI antigos ainda sustentam operações críticas em grandes empresas, mas consomem boa parte do orçamento de tecnologia e travam a inovação. Especialistas apontam que manter o passado tem um preço alto — e crescente — para quem não modernizar.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O peso invisível do que já funciona
Estimativas do Gartner, consultoria americana de pesquisa em tecnologia, indicam que empresas gastam, em média, entre 60% e 80% do orçamento de TI apenas para manter sistemas legados funcionando — sobrando pouco espaço para investir em inovação. É esse o retrato que ajuda a explicar por que tantas companhias grandes ainda dependem de estruturas de tecnologia construídas há décadas, mesmo em plena era de inteligência artificial e nuvem.
Um artigo recente do Canaltech, assinado por Rodrigo Resende, chama atenção para o que descreve como o "custo invisível" dessas plataformas antigas: o fato de que um sistema continuar funcionando não significa que ele continue sendo eficiente. Segundo o texto, sistemas legados ainda sustentam parte significativa das operações de grandes empresas, mas comprometem integração entre áreas, automação de processos e a velocidade das decisões de negócio.
Por que é tão difícil largar o passado
O argumento central é organizacional, não apenas técnico. Ao longo dos anos, processos inteiros são construídos ao redor de sistemas antigos, criando resistência a qualquer mudança. Quando uma nova tecnologia é adotada sem que a antiga seja desligada, o resultado é uma sobreposição de camadas que aumenta a complexidade da operação. Some-se a isso a dependência de profissionais com conhecimentos técnicos específicos — muitas vezes cada vez mais raros no mercado — e o quadro se torna um obstáculo estrutural à evolução tecnológica.
Esse cenário não é exclusividade de um setor ou região. Um estudo da McKinsey Digital, unidade de tecnologia da consultoria McKinsey & Company, mostra que cada ano de atraso em um projeto de modernização eleva o custo total da iniciativa em 20% a 25%. Ou seja: adiar a decisão de modernizar não é uma opção neutra — tem preço, e esse preço sobe com o tempo.
Quem ganha e quem fica para trás
O recorte que emerge do cruzamento dessas fontes é claro: empresas que tratam a modernização como prioridade estratégica — e não como um projeto de TI isolado — conseguem liberar orçamento hoje consumido pela manutenção do passado para investir em automação, integração de dados e experiência do cliente. São elas que tendem a sair na frente em velocidade de decisão e capacidade de adaptação.
Já as empresas que seguem adiando a modernização, tratando os sistemas legados como um problema resolvido simplesmente porque "ainda funcionam", tendem a acumular um débito técnico cada vez mais caro de pagar. O verdadeiro risco não está no sistema antigo em si, mas na inércia de segui-lo mantendo enquanto o mercado — e o custo de não migrar — só aumenta.