
O lado roxo de Marte: gelo e poeira pintam escarpa de 1 km no polo sul
Imagem da sonda Mars Express mostra a escarpa Thyles Rupes banhada em tons de roxo, rosa e vermelho. A cor incomum vem da combinação de poeira, geada de CO2 e luz da manhã marciana.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um paredão do tamanho de um prédio de 300 andares
A escarpa Thyles Rupes, nas terras altas do sul de Marte, tem trechos que ultrapassam 1 quilômetro de altura em relação ao terreno ao redor — como empilhar mais de duas Torres Eiffel uma sobre a outra. É essa formação que aparece, tingida de roxo, rosa e vermelho, em uma nova imagem divulgada pela ESA (a Agência Espacial Europeia, responsável pela sonda que registrou a cena).
O que é confirmado
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
A imagem foi capturada pela sonda Mars Express, da ESA, usando a câmera estéreo de alta resolução (HRSC), em 17 de fevereiro de 2026, durante a órbita de número 27925. O quadro mostra Thyles Rupes, uma das escarpas mais proeminentes das antigas terras altas do sul marciano, que se estende por centenas de quilômetros e corta — e é cortada por — diversas crateras de impacto na região.
Segundo a ESA, a coloração incomum resulta da combinação de três fatores presentes no momento da observação: poeira marciana, geada de dióxido de carbono ainda cobrindo partes da paisagem — inclusive sobre dunas de areia onduladas e dentro de crateras — e a luz suave do início da manhã local. Essa mistura específica produziu o tom "roxo-amora" que domina a cena, em contraste com o vermelho característico associado ao óxido de ferro na superfície do planeta.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O que ainda é hipótese ou contexto geológico
A presença de minerais vulcânicos como olivina e piroxênio ajuda a explicar variações de cor na região, mas a proporção exata de cada elemento — poeira, gelo e mineralogia — na tonalidade roxa observada não é quantificada pelos cientistas da missão. A formação da própria escarpa é atribuída ao resfriamento e à contração da crosta marciana ao longo de bilhões de anos, já que Marte, ao contrário da Terra, não tem tectônica de placas.
Por que isso importa
Registros como este ajudam a mapear onde o gelo de CO2 e de água se acumula sazonalmente perto do polo sul marciano, informação relevante tanto para entender o clima atual do planeta quanto para futuras missões que dependam de recursos congelados na superfície.