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Smart Cities13 de ago. de 2026, 16:53

O metrô de Nova York é um forno no verão. A cidade quer transformar isso em energia

Estudo de US$ 800 mil, pago com dinheiro do congestion pricing, vai avaliar se o calor das plataformas pode virar aquecimento para prédios públicos no inverno. Se sair do papel, seria a primeira rede térmica desse tipo em um sistema de transporte dos EUA.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O problema que todo passageiro de Nova York já sentiu na pele

Quem pega o metrô de Nova York no verão conhece a cena: plataforma abafada, ar parado, sensação de forno. Na estação Brooklyn Bridge-City Hall, a temperatura bateu 96°F (cerca de 35,5°C) no verão passado. Agora prefeitura, governo estadual e a Metropolitan Transportation Authority (MTA) anunciaram um estudo de viabilidade para transformar esse mesmo calor excedente em fonte de energia limpa — em vez de simplesmente jogá-lo fora.

O que foi anunciado, e quem paga a conta

O estudo custa US$ 800 mil e será financiado com recursos do congestion pricing, o pedágio urbano que cobra motoristas para entrar em Manhattan abaixo da rua 60 — ou seja, é dinheiro que já vem de uma taxa paga por quem dirige na cidade, não um gasto novo do orçamento geral. A New York State Energy Research and Development Authority (NYSERDA) é a financiadora formal. O contrato do estudo deve ser fechado neste outono (hemisfério norte), e, se a tecnologia for considerada viável, o desenho do projeto pode começar já no início de 2027.

O piloto vai focar no complexo Brooklyn Bridge-City Hall (linhas 4/5/6) e na estação Chambers Street (linhas J/Z), que data de 1913 — parte do desafio, segundo o presidente da MTA, Janno Lieber, é reduzir temperatura "em um sistema centenário com entradas e respiradouros abertos". A ideia é usar um sistema de resfriamento radiante: um circuito de tubulação sob a superfície da estação absorve o calor do ambiente e transfere para água, que pode ser armazenada em poços geotérmicos e reaproveitada em prédios municipais próximos durante o inverno.

Comparação e quem assina o compromisso

O modelo não é inédito fora do transporte público: redes de energia térmica já operam em Boston, na Catedral de São Patrício e no Jardim Botânico de Nova York, segundo a reportagem da Smart Cities Dive. O que seria inédito é aplicar a tecnologia dentro de um sistema de trânsito nos Estados Unidos. O prefeito Zohran Mamdani, a governadora Kathy Hochul e o MTA assinaram publicamente o anúncio. Mamdani resumiu o incômodo do usuário: "há poucos sentimentos piores que escapar do calor extremo do verão apenas para se encontrar em uma plataforma de metrô ainda mais quente". Já Lieber colocou o argumento financeiro: a promessa é de "estações mais frias para os passageiros do metrô, e a cidade de Nova York economiza em custos de energia".

O que ainda não está garantido

Por ora, é um estudo de viabilidade — não uma obra confirmada. Não há, nas fontes consultadas, estimativa pública do custo de construção da rede térmica em si, caso o projeto avance depois do estudo, nem detalhamento de quem fiscalizará a execução além da própria MTA e da NYSERDA.

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