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Ciência28 de ago. de 2026, 09:53

O que aconteceria com seu corpo dentro de um buraco negro

A física explica por que o destino de quem cai em um buraco negro muda conforme o tamanho dele: buracos pequenos despedaçam o corpo antes do horizonte de eventos, os supermassivos nem tanto.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine esticar um chiclete até ele virar um fio fininho. É basicamente isso que a gravidade faria com um corpo humano caindo de pés em um buraco negro pequeno: a diferença de força gravitacional entre os pés (mais perto do centro) e a cabeça cresce tanto, tão rápido, que o corpo é esticado numa direção e espremido na outra. O nome técnico é espaguetificação, e o mecanismo é o mesmo das marés na Terra — só que em escala brutalmente maior.

Confirmado: depende do tamanho do buraco negro

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Aqui está o que a física já sustenta com solidez: o destino do corpo muda conforme a massa do buraco negro. Em um buraco negro de massa estelar — formado do colapso de uma estrela —, o horizonte de eventos é pequeno e o gradiente de gravidade nas proximidades é tão íngreme que a espaguetificação mata antes mesmo de a pessoa cruzar esse ponto sem volta.

Já em um buraco negro supermassivo, como os que existem no centro de galáxias, com massa de centenas de milhares a bilhões de sóis, o horizonte de eventos é proporcionalmente enorme — a diferença de gravidade entre cabeça e pés ali é bem mais suave. A NASA usa esse contraste para explicar que, em tese, seria possível atravessar o horizonte de um buraco negro supermassivo sem sentir de imediato o efeito de maré que despedaçaria alguém num buraco negro pequeno.

Pra referência: Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, tem cerca de 4,1 milhões de massas solares e um horizonte de eventos com raio estimado em 12 milhões de km — uma "sombra" fotografada pelo Event Horizon Telescope em 2022.

O que ainda é hipótese

Depois do horizonte de eventos, a física conhecida para de dar respostas observáveis: nada volta de lá, nem luz. O que acontece exatamente na singularidade central, prevista pela relatividade geral, segue sendo extrapolação teórica, não algo medido. E há um efeito extra a considerar antes mesmo de chegar perto: o disco de acreção — gás girando em altíssima velocidade ao redor do buraco negro — pode emitir radiação capaz de matar um corpo humano bem antes da espaguetificação entrar em cena.

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