
O que ainda funciona pra bloquear anúncios no Chrome
A mudança para o Manifest V3 no Chrome enfraqueceu bloqueadores de anúncio como o uBlock Origin, mas ainda existem alternativas que funcionam.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O Google trocou a estrutura de extensões do Chrome do Manifest V2 para o Manifest V3, um novo padrão que substitui a API webRequest — usada por bloqueadores de anúncio para inspecionar e barrar requisições em tempo real — pela declarativeNetRequest, bem mais limitada. Na prática, isso impôs um teto de cerca de 30 mil regras estáticas por extensão, muito abaixo do que ferramentas como o uBlock Origin, extensão gratuita e uma das mais populares do mundo para bloquear anúncios, chegavam a usar em configurações robustas (mais de 300 mil regras). A desativação do Manifest V2 começou em 2024 por justificativa de segurança e desempenho da Google, e a remoção em massa das extensões antigas se intensificou ao longo de 2025.
Quem é afetado
Foto: reprodução/theregister.com
Todo mundo que usa Chrome — e, por tabela, navegadores baseados no mesmo motor (Chromium), como o Microsoft Edge — e dependia de um bloqueador de anúncios completo. A queda de eficácia afeta principalmente quem convivia com sites pesados em publicidade invasiva, pop-ups e rastreadores de navegação, já que o filtro ficou mais raso.
O que fazer agora
Nem tudo se perdeu. Algumas alternativas seguem funcionando:
- uBlock Origin Lite: versão reduzida e já adaptada ao Manifest V3, com eficácia menor que a versão clássica, mas ainda ativa;
- DNS alternativo: trocar o DNS do dispositivo ou do roteador por um serviço como o da AdGuard, focada em bloqueio de anúncios e privacidade, filtra parte da publicidade antes mesmo de chegar ao navegador, sem depender de extensão;
- Trocar de navegador: o Firefox continua compatível com o uBlock Origin completo (Manifest V2), e o Brave tem bloqueador de anúncios nativo, embutido no próprio navegador — nenhum dos dois depende da política do Chrome.
Nenhuma dessas opções devolve o nível de bloqueio que o Chrome tinha antes de 2024. Quem prioriza esse recurso específico ganha um motivo a mais para considerar migrar o navegador principal — o resto do ecossistema Google (conta, senhas salvas, extensões de produtividade) continua acessível em qualquer um dos alternativos citados.