O que é 'AI slop', a gíria eleita palavra do ano contra o excesso de IA
O termo virou crítica ao conteúdo em massa gerado por inteligência artificial sem revisão humana e foi eleito palavra do ano de 2025 por dicionários como Merriam-Webster e Macquarie.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
Uma gíria que virou dicionário
Em bom português, "AI slop" seria algo como "lixo de IA": conteúdo digital de baixa qualidade, produzido em massa por inteligência artificial generativa, quase sempre sem nenhuma revisão humana. A palavra "slop" já existia havia séculos com sentido de "lama mole" — virou sinônimo de porcaria muito antes da IA existir. O que mudou foi o contexto: o termo passou a descrever especificamente textos genéricos, imagens com anatomia estranha, vídeos com sincronia labial torta e música produzida em escala industrial por modelos de IA.
De onde veio
A gíria nasceu em fóruns como o 4chan e o Hacker News por volta de 2022, como reação irônica ao surgimento dos primeiros geradores de imagem por IA. O poeta e tecnólogo que assina como "deepfates" é creditado por popularizá-la nas redes, e o programador britânico Simon Willison ajudou a levar o termo ao mainstream ao usá-lo em seu blog em 2024. O reconhecimento veio em 2025: tanto o dicionário americano Merriam-Webster quanto o Macquarie Dictionary, referência na Austrália, elegeram "slop" como palavra do ano.
Por que virou crítica, não elogio
O termo nunca foi neutro — nasceu como reclamação. A queixa central é a inundação de redes sociais, resultados de busca e até livros com conteúdo automatizado que prioriza volume sobre qualidade. Um exemplo citado com frequência: vídeos infantis feitos por IA no YouTube espalhando desinformação e incentivando comportamentos arriscados pra um público que não tem discernimento pra filtrar isso sozinho. Até a própria Microsoft, ironicamente, já proibiu internamente o termo derivado "Microslop" e bloqueou a discussão em seu Discord do Copilot.
O que falta responder
Não existe ainda uma métrica confiável de quanto do conteúdo que circula hoje na internet é "slop" — só a percepção qualitativa de que a proporção cresce. A pergunta que fica é se as plataformas vão desenvolver forma de sinalizar ou filtrar esse tipo de conteúdo antes que a confiança do usuário na informação online caia ainda mais.