
O que é o 5G Advanced, o 5G+ que já começa a rodar no Brasil?
O 5G Advanced, ou 5.5G, é a evolução do 5G especificada no 3GPP Release 18 e já ativada pela Vivo em algumas cidades brasileiras. Entenda o que muda em velocidade, latência e eficiência energética em relação ao 5G convencional.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Da evolução do 4G para a ponte rumo ao 6G
Se o salto do 4G para o 4G Advanced (ou 4G+) já é familiar para quem acompanha telecom no Brasil, prepare-se para o próximo capítulo: o 5G Advanced, também chamado de 5G+, 5.5G ou 5GA. A tecnologia foi especificada oficialmente no 3GPP Release 18, o órgão internacional que define os padrões de redes móveis, e funciona como uma ponte entre o 5G que conhecemos hoje e o futuro 6G, segundo explica o Tecnoblog.
Na prática, o 5G Advanced não é uma geração totalmente nova de rede móvel, mas um upgrade de software e de orquestração sobre a infraestrutura 5G já instalada. É a mesma lógica do 4G Advanced: usar o que já existe de forma mais inteligente, sem precisar trocar toda a base de antenas.
O que muda na prática
O destaque técnico é a agregação de portadoras, que combina diferentes frequências de rede para ampliar a capacidade de conexão — o mesmo truque que turbinou o 4G Advanced. A partir disso, o 5G Advanced promete:
- maior velocidade de conexão, pela soma de frequências distintas;
- menor latência, principalmente no uplink (upload) e em conexões bidirecionais;
- inteligência artificial e machine learning atuando na própria rede de acesso, permitindo ajustes automáticos de performance sem intervenção humana;
- suporte a redes de capacidade reduzida (RedCap), melhorando o desempenho de dispositivos de Internet das Coisas;
- conexão via redes não-terrestres (NTN), ou seja, satélite direto ao aparelho;
- mais eficiência energética, o que deve se traduzir em bateria rendendo mais no smartphone.
Vale reforçar: o 5G Advanced não substitui o 5G convencional. Ele depende da rede 5G já existente para funcionar — é uma camada de inteligência e eficiência por cima, não uma substituição de infraestrutura.
E no Brasil, já dá para sentir a diferença?
A Vivo, controlada pela espanhola Telefónica, já ativou o 5G Advanced comercialmente em cidades como Brasília, tornando-se a primeira a oferecer a tecnologia no país — para acessar, o cliente precisa de plano, aparelho compatível e chip habilitado. A TIM, por sua vez, testa o 5.5G desde fevereiro e já registrou 11,6 Gbps de velocidade em demonstrações de laboratório em parceria com a fornecedora chinesa de equipamentos de telecom Huawei. A Claro ainda não tem previsão de lançar o recurso ao público geral.
A pergunta que fica é a mesma de sempre quando uma nova geração de rede chega ao Brasil: vale a pena correr para trocar de aparelho agora? Pelo visto, ainda não há pressa — a adoção começa de forma pontual, em poucas cidades, e os ganhos reais para o usuário final (velocidade e bateria) dependem de quando as operadoras expandirem a cobertura além dos testes e das primeiras ativações comerciais.