
O que é o Grande Atrator, o 'ímã' cósmico que puxa a Via Láctea
Escondida atrás do disco da nossa galáxia, uma concentração de massa equivalente a quatrilhões de sóis puxa a Via Láctea a 600 km/s — e é o coração do superaglomerado Laniakea.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um puxão de 600 km por segundo
Imagine uma força capaz de arrastar a Via Láctea inteira, com seus bilhões de estrelas, a 600 quilômetros por segundo. Essa é a estimativa de velocidade com que nossa galáxia e todo o Grupo Local são puxados na direção do chamado Grande Atrator.
O que é, afinal
O Grande Atrator não é um único objeto — é uma concentração massiva de galáxias, gás e matéria escura, escondida atrás do disco da própria Via Láctea, numa faixa do céu batizada de Zona de Ocultação. Fica na direção da constelação de Centauro, a uma distância estimada entre 150 e 250 milhões de anos-luz; a margem de erro é grande porque o próprio disco da galáxia bloqueia boa parte da luz visível vinda daquela região.
O coração de Laniakea
O Grande Atrator é o núcleo gravitacional do superaglomerado Laniakea, mapeado por completo em 2014 pelo astrônomo R. Brent Tully. Laniakea tem cerca de 500 milhões de anos-luz de diâmetro, reúne por volta de 100 mil galáxias e concentra uma massa estimada em 100 quatrilhões de vezes a massa do Sol — esse é o "endereço cósmico" da Via Láctea na escala mais ampla que os astrônomos conseguem mapear hoje.
Confirmado vs. hipótese
A existência da atração gravitacional nessa direção do céu é consenso desde os anos 1970 e 1980, quando um grupo de astrônomos apelidado de "Sete Samurais" identificou o fluxo anômalo de galáxias. O que ainda gera debate é o cálculo fino da distância e da massa exata do Grande Atrator, já que a Zona de Ocultação obriga os cientistas a recorrer a telescópios de rádio e de raios X, em vez de luz visível, para enxergar através do disco da nossa própria galáxia.