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Segurança13 de set. de 2026, 11:48

O que é spyware mercenário e como saber se você foi alvo

Ferramentas como Pegasus e Graphite custam milhões e miram jornalistas e ativistas — veja como funciona o alerta da Apple e o que fazer se você recebê-lo.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que é, na prática

Spyware mercenário é o nome que a Apple dá a uma categoria específica de espionagem digital: ferramentas desenvolvidas por empresas privadas — chamadas pela Apple de PSOAs, sigla em inglês para "atores ofensivos do setor privado" — e vendidas a governos ou clientes para invadir o celular de uma pessoa específica, sem que ela perceba nada.

A diferença em relação a um malware comum é o alvo: em vez de tentar infectar o maior número possível de aparelhos para roubar senha e dado bancário, o spyware mercenário concentra recursos — a Apple estima custos de milhões de dólares por operação — em um número pequeno de vítimas escolhidas a dedo. Muitos ataques são "zero-click": a vítima não precisa clicar em nada para o aparelho ser comprometido.

Quem é afetado

O perfil de alvo é recorrente: jornalistas, ativistas de direitos humanos, políticos, diplomatas e dissidentes, visados pelo que fazem ou representam. O caso mais recente documentado envolve o Graphite, spyware da empresa israelense Paragon Solutions, confirmado pelo Citizen Lab em 2025 contra jornalistas europeus — entre eles o italiano Ciro Pellegrino — através de uma falha zero-click no aplicativo Mensagens, corrigida pela Apple em fevereiro daquele ano. Antes dele, o caso mais conhecido é o Pegasus, da também israelense NSO Group, usado globalmente contra jornalistas e ativistas.

O que fazer agora

Se a Apple mandar um alerta desses — por mensagem na tela de bloqueio, e-mail e aviso na conta apple.com —, os passos recomendados são:

  • Ativar o Modo de Isolamento (Lockdown Mode) no iPhone, que reduz drasticamente a superfície de ataque bloqueando anexos e links pouco comuns;
  • Manter o iOS sempre atualizado — a falha usada contra jornalistas em 2025 já tinha correção disponível;
  • Usar senha forte no aparelho e ativar a autenticação de dois fatores na Apple ID;
  • Evitar abrir links e anexos de remetentes desconhecidos;
  • Buscar apoio especializado, como a linha de emergência digital da ONG Access Now.

A boa notícia é que esse tipo de ataque não é indiscriminado: a Apple já enviou notificações desse tipo a usuários em mais de 150 países desde 2021, mas o volume é pequeno porque o custo de cada operação é alto. Para a grande maioria das pessoas, o risco real do dia a dia é outro — phishing e golpes em massa, não espionagem sob encomenda.

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