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Ciência18 de ago. de 2026, 16:54

O que o fim de uma estrela a 650 anos-luz revela sobre o futuro do Sol

Astrônomos de Yale flagraram, na Nebulosa da Hélice, os restos de uma anã branca sendo reabsorvidos pelo meio interestelar — um retrato do que deve acontecer com o Sol daqui a bilhões de anos.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Uma reciclagem cósmica flagrada a 650 anos-luz

Pra escala humana: a luz que mostra esse processo saiu da Nebulosa da Hélice quando os primeiros exploradores europeus ainda cruzavam o Atlântico — 650 anos-luz é a distância que ela percorreu até chegar aos telescópios na Terra. E o que essa luz revelou, segundo astrônomos da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, é um capítulo raramente observado da vida (e da morte) das estrelas.

O que foi confirmado

A equipe liderada pelo astrônomo Pieter van Dokkum identificou, na Nebulosa da Hélice — uma nebulosa planetária na constelação de Aquário, também catalogada como Caldwell 63 —, 22 estruturas completas ou parciais de "bow shocks" (ondas de choque em formato similar ao rastro de um barco na água) no lado leste da nebulosa. Elas marcam o momento em que o material expelido pela anã branca central colide com o gás interestelar ao redor e começa a se dissolver nele.

A descoberta foi feita com o MOTHRA (Modular Optical Telephoto Hyperspectral Robotic Array), um telescópio ainda em construção no Observatório El Sauce, no Vale do Rio Hurtado, no Chile, que combinará ao final 1.140 lentes telefoto. Segundo o relato de Yale, a observação ocorreu durante um teste de calibração do instrumento — não era um alvo planejado. O estudo foi publicado na revista científica Nature em 12 de agosto de 2026.

"Estamos vendo material ejetado perto do fim da vida de uma estrela sendo quebrado e devolvido à galáxia", disse van Dokkum, segundo a Yale News. Ele descreve essa transição — da matéria estelar reconhecível ao gás difuso entre as estrelas — como "muito difícil de observar" até agora.

O que é hipótese (mas bem fundamentada)

A ligação com o Sol não é uma observação direta, e sim uma projeção baseada no ciclo estelar conhecido: nossa estrela é do mesmo tipo que originou a Nebulosa da Hélice. Em cerca de 5 bilhões de anos o Sol deve esgotar seu combustível de hidrogênio, expandir-se como gigante vermelha e, depois, colapsar em uma anã branca, expelindo camadas externas que formarão sua própria nebulosa planetária. O próprio van Dokkum resume: "No futuro distante, o Sol vai passar por um processo semelhante, e seu material vai entrar no mesmo ciclo."

Os pesquisadores estimam que o material ejetado por esse tipo de estrela sobrevive cerca de 10 mil anos antes de ser reabsorvido pelo meio interestelar — o mesmo material que, no fim das contas, alimenta a formação de novas estrelas e planetas. Van Dokkum já adianta que "isso é só o começo do que poderemos ver com o MOTHRA", ainda em fase de expansão.

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