
O que os candidatos à Presidência propõem para IA e tecnologia
Lula aposta em infraestrutura estatal e soberania digital, Zema quer destravar investimento privado sem regulação ampla e Cury propõe trocar servidores por IA — veja o que seis presidenciáveis planejam para o setor.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
Um tema, seis estratégias diferentes
Se existe um ponto em comum entre os programas de governo de Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), é a certeza de que data centers — os galpões cheios de servidores que sustentam a inteligência artificial — viraram tema de campanha. A divergência começa na hora de decidir quem paga a conta e quem toca o projeto: o Estado ou a iniciativa privada.
O lado do Estado forte
Lula amarra data centers à ideia de soberania digital: o programa do PT prevê infraestrutura computacional nacional, serviços de nuvem e supercomputadores desenvolvidos ou operados por instituições brasileiras, com exigências de eficiência energética, uso de fontes renováveis e conteúdo local. Augusto Cury caminha em direção parecida, mas com um recorte mais administrativo: quer criar um Ministério da Inteligência Artificial e um Marco Legal da IA, usar a tecnologia para cruzar "bilhões de dados" no combate à corrupção e, no ponto mais controverso da proposta, substituir parte dos servidores comissionados por agentes de IA.
O lado da desregulação
Do outro lado do espectro, Romeu Zema aposta na matriz elétrica brasileira — cerca de 88% renovável — como vantagem competitiva num momento em que o mundo deve investir US$ 750 bilhões em data centers e infraestrutura digital neste ano, segundo estimativas citadas pelo candidato. Zema defende reduzir barreiras burocráticas e é o mais explícito ao se opor a uma regulação "ampla e prematura" da IA. Flávio Bolsonaro mira o mesmo público — grandes investidores privados — oferecendo energia barata e regras de incentivo, mas concentra boa parte de sua agenda tecnológica na digitalização de serviços públicos, como o programa "Brasil sem Fila" e o uso de IA para marcar consultas na saúde.
Incentivo fiscal e zona especial
Ronaldo Caiado propõe incentivos fiscais condicionados a contrapartidas ambientais, tecnológicas e sociais — um meio-termo entre os dois polos. Já Renan Santos defende a criação de zonas econômicas especiais para atrair empresas de inteligência artificial.
O que fica sem resposta
Em bom português, a pergunta que nenhum dos seis programas responde com números fechados é quem paga a infraestrutura elétrica extra que data centers de IA exigem — e se o consumidor residencial vai sentir isso na conta de luz. Também não está claro como ficaria, na prática, a fiscalização de um Marco Legal da IA ainda em tramitação no Congresso enquanto os candidatos já tratam o tema como política de Estado.
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