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Smart Cities19 de out. de 2026, 10:55

O que torna uma cidade um 'refúgio climático'? Existe fórmula

Um framework criado por pesquisadores americanos tenta medir, com critérios objetivos, se uma cidade está mesmo preparada para a crise climática ou se vive só de marketing. A pergunta que fica é: isso serve de espelho para o Brasil?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Enquanto o Brasil discute enchentes no Rio Grande do Sul e secas na Amazônia, cidades americanas já vendem a si mesmas como "refúgios climáticos" — lugares supostamente mais seguros contra incêndios, inundações e calor extremo. Mas quem garante que esse rótulo não é só propaganda imobiliária?

Quem criou o framework e por quê

Justin D'Atri, fundador da consultoria de adaptação climática Adaptify, ajudou a desenvolver uma ferramenta de avaliação junto a um projeto de pesquisa da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade de Michigan (instituição pública de ensino e pesquisa referência em estudos climáticos nos EUA). O próprio D'Atri admite que o termo "refúgio climático" é "um tanto controverso", já que nenhum lugar está realmente livre de risco.

Foto: reprodução/statenews.com

O que o framework mede

A régua criada por D'Atri avalia seis frentes: resiliência alimentar (se a cidade apoia agricultura regional), resiliência hídrica (gestão de falta ou excesso de água, no modelo de "cidade esponja"), energia renovável local, transporte público (para reduzir dependência de uma rede elétrica única), capacidade institucional (se existe um escritório de resiliência que converse com outras secretarias) e políticas habitacionais equilibradas — nem crescimento zero, nem especulação descontrolada.

Cidades de porte médio como Rochester (Nova York), Cincinnati (Ohio), Duluth (Minnesota), Ann Arbor e Madison (Wisconsin) aparecem como exemplos promissores, em geral perto dos Grandes Lagos.

Um espelho, não uma cópia

Uma busca cruzada mostra que a própria comunidade acadêmica de Michigan questiona o rótulo: a pesquisadora Julie Arbit, da mesma universidade, afirma que "não existe mais refúgio climático no planeta" e prefere falar em "destino climático", sem prometer proteção que nenhum lugar pode garantir.

Para o leitor brasileiro, a lição não é procurar qual cidade copiar, mas o método: será que prefeituras por aqui têm um setor de resiliência que converse com obras, saneamento e habitação? Quem audita se a cidade que se vende como "preparada" realmente investiu em drenagem ou energia local? O framework não resolve a pergunta por nós, mas pelo menos dá uma lista de itens para cobrar do poder público, aqui ou lá fora.

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