
O robô caseiro de US$ 1.688 que aprende a dobrar roupa e guardar louça
A startup americana Nori Robotics lançou o A3, um robô doméstico de rodas que pode ser treinado para tarefas como dobrar roupas, carregar a lava-louças e guardar objetos, por US$ 1.688 (cerca de R$ 8,7 mil).
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A ideia de um robô que ajuda nas tarefas de casa sempre soou a ficção científica — ou, na melhor das hipóteses, a piada de série B, tipo o robô doméstico avacalhado que aparece em Rocky IV. Mas a startup americana Nori Robotics, sediada em São Francisco, decidiu tirar essa fantasia do papel com o A3, um robô que promete aprender a guardar objetos, dobrar roupas e até carregar a lava-louças.
O que o A3 faz
Diferente dos humanoides bípedes que dominam as manchetes de robótica, o A3 se desloca sobre uma base com rodas — visual bem mais simples do que os robôs de corrida e salto que a Boston Dynamics costuma exibir. Uma coluna telescópica de três estágios sustenta a cabeça e os dois braços, permitindo que o robô alcance desde o chão até a bancada da cozinha. Cada braço tem sete graus de liberdade mais a garra, com capacidade de carregar cerca de 1,5 kg quando totalmente estendido — o suficiente para segurar um prato ou uma peça de roupa, mas longe de ser um levantador de peso.
Para se localizar e evitar esbarrões, o A3 usa sensores LiDAR e quatro câmeras de 720p espalhadas entre garras, cabeça e pescoço. A autonomia da bateria fica entre 6 e 8 horas de uso contínuo.
Como ele aprende as tarefas
O ponto central do A3 não é vir pronto de fábrica com uma lista de habilidades, e sim permitir que o próprio usuário ensine novas tarefas — seja programando diretamente, seja usando uma ferramenta de simulação no computador para treinar o robô antes de aplicar o aprendizado no mundo real. Segundo a Nori Robotics, isso abre a possibilidade de compartilhar habilidades treinadas entre diferentes unidades, algo raro nos robôs domésticos disponíveis hoje.
Preço e disponibilidade
O A3 custa US$ 1.688, o equivalente a cerca de R$ 8,7 mil na cotação atual — um valor baixo para o padrão de robótica humanoide, mas ainda assim um investimento considerável para quem só quer terceirizar a dobra de roupa. A primeira leva de unidades já esgotou, e a empresa prepara uma segunda produção de 100 exemplares prevista para o outono do hemisfério Norte (setembro a dezembro).
Vale o preço, faz sentido no Brasil?
Com certeza é um projeto para entusiastas: o A3 exige que o dono "ensine" as tarefas, não chega plug-and-play como uma aspiradora robô, e por enquanto não há indício de venda ou suporte oficial fora dos Estados Unidos. Some a isso impostos de importação, que facilmente dobrariam o preço final por aqui, e o A3 se torna mais curiosidade tecnológica do que produto de prateleira para o consumidor brasileiro — pelo menos por ora.