
O sistema por trás da tela giratória: como funciona o Android da BYD
A central multimídia dos carros BYD roda sobre Android, mas com uma camada própria batizada de DiLink. Especificação vira experiência — e vale entender o que muda em relação ao smartphone no seu bolso.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A base é Android, mas não é o do seu celular
Se você já sentou num BYD e achou a central multimídia familiar, não é impressão sua. O sistema roda sobre Android — só que adaptado para uso automotivo, rodando separado das funções eletrônicas essenciais do carro, como motor, freios e itens de segurança. Ou seja: é Android, mas customizado a ponto de não ser "o mesmo" que baixa apps da Play Store no seu bolso.
A camada de personalização se chama DiLink, plataforma que a BYD — fabricante chinesa que hoje é uma das maiores montadoras de veículos elétricos e híbridos do mundo — usa há anos para dar identidade própria à experiência dentro do carro. E aqui entra o comparativo com a geração anterior: unidades vendidas no Brasil em 2025 trazem hardware DiLink 3.0, enquanto lançamentos recentes na China já circulam com DiLink 4.0 e 5.0. A versão 3.0F, especificamente, usa chipset Qualcomm SM6125 e roda Android 10 — nada de ponta se comparado a um smartphone atual, mas suficiente para o que se propõe.
Foto: reprodução/automaistv.com.br
Tela giratória, apps nativos e integração com o celular
O gadget mais chamativo continua sendo a tela giratória, presente em modelos como Dolphin, Song Plus, Seal e Yuan Plus, com painéis de 10,1", 12,8" ou até 15,6" no Shark. A rotação alterna entre paisagem (navegação) e retrato (música), com a interface se adaptando. Vale o registro: a própria marca já sinaliza o fim do recurso em modelos futuros, migrando para telas fixas na horizontal — o giro, aparentemente, agradava mais no papel do que no uso diário.
No campo do software, o sistema oferece Android Auto, Apple CarPlay, comandos de voz, atualizações OTA e, em versões mais recentes, apps nativos como YouTube e Zoom — o Song Pro DM-i Flex, por exemplo, já roda com Google Automotive Services, dispensando o celular para funções básicas. A atualização Super ICS 3.10, de junho, trouxe nova interface e atalhos personalizáveis.
Vale o preço no Brasil?
Aqui está o ponto: especificação de papel — Android 10, chipset de entrada, tela giratória — não necessariamente vira experiência boa. Comparado à geração anterior, o salto sai claro fora do Brasil (DiLink 4.0/5.0 já circulando na China) enquanto o consumidor brasileiro ainda recebe hardware 3.0. Para quem compra um BYD por aqui, a central multimídia entrega conectividade robusta e recursos que rivalizam com o que concorrentes premium cobram caro — mas fica a dúvida se o ritmo de atualização vai acompanhar o resto do mundo, ou se o Brasil segue um degrau atrás.