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Ciência11 de ago. de 2026, 00:12

Oceanos batem recorde de calor em julho e agravam seca na Europa

Superfície do mar chegou a 20,96°C em julho, novo recorde global do Copernicus, enquanto ondas de calor marinhas e seca extrema pressionam rios e ecossistemas europeus.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Novo recorde: 20,96°C na superfície do mar

Pra escala humana: um aumento de 0,07°C na temperatura média de todos os oceanos do planeta pode parecer irrelevante — é a diferença entre duas medições de termômetro que o corpo humano nem percebe. Mas, em escala planetária, esse é o tamanho do salto que colocou julho de 2026 no topo do ranking histórico de calor marinho.

Segundo o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S), da União Europeia, a temperatura média da superfície dos oceanos extrapolares atingiu 20,96°C em julho, superando o recorde anterior de 20,89°C, registrado em 2023. É o dado confirmado pelo observatório europeu, que monitora o clima global com dados de satélites e reanálises.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O que é confirmado e o que é força motriz

O Copernicus atribui parte do aquecimento a temperaturas excepcionalmente altas no Pacífico tropical, região onde as condições de El Niño estão presentes e, segundo previsões do próprio serviço, devem se intensificar nos próximos meses. Já no Atlântico e no Mediterrâneo ocidental, os recordes de temperatura estiveram associados a ondas de calor marinhas intensas — fenômenos que a ciência já sabe que afetam ecossistemas e comunidades costeiras, mas cuja extensão de impacto em cada região ainda está sendo mapeada pelos pesquisadores.

No ar, o quadro também é de recorde: julho de 2026 foi o segundo mês mais quente já registrado globalmente, com temperatura média de 16,90°C — igual à de julho do ano passado e 1,47°C acima da média pré-industrial (1850-1900), referência usada pelos cientistas para medir o aquecimento causado pela ação humana.

Foto: reprodução/jornaldebrasilia.com.br

Europa sob seca e incêndios

A Europa Ocidental teve o período junho-julho mais quente já registrado, com média de 21,62°C — 2,79°C acima do recorde anterior, de 2022. França, Espanha, Alemanha e Reino Unido estão entre os países mais afetados.

A seca reduziu a vazão de rios importantes como Sena, Reno e Danúbio, prejudicando abastecimento de água, irrigação e geração de energia. Segundo Samantha Burgess, do Copernicus, "o ressecamento dos solos reduz a capacidade natural dessas superfícies de amenizar as temperaturas" — um efeito em cascata que intensifica ainda mais o calor.

Já Laurence Rouil, do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, apontou que "a área atingida pelas queimadas e o volume de emissões ficaram em níveis incomuns" neste período, reforçando a ligação entre calor extremo, solo seco e maior risco de incêndios florestais no continente.

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