
Oceanos gigantescos podem ter evaporado em Vênus, diz estudo
Pesquisa publicada na revista Earth and Planetary Science Letters aponta que água líquida cobria até 90% da superfície de Vênus antes de um efeito estufa descontrolado transformar o planeta no ambiente inóspito atual.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Análise de radar sugere passado aquático
Um novo estudo conduzido por Richard Ghail, da Universidade de Londres, e publicado em 5 de agosto de 2026 na revista Earth and Planetary Science Letters, reforça a hipótese de que Vênus já foi um planeta coberto por água. Segundo a pesquisa, dados de radar revelaram no solo venusiano estruturas geológicas semelhantes a formações marinhas encontradas na Terra, indicando que água líquida pode ter coberto cerca de 90% da superfície do planeta.
De acordo com as estimativas dos pesquisadores, o volume total dessa água equivaleria a aproximadamente 40% dos oceanos terrestres atuais, com profundidade média de 1,4 quilômetro. Esses mares hipotéticos podem ter existido há menos de um bilhão de anos — um período relativamente recente na escala de tempo geológica do planeta.
Foto: reprodução/phys.org
Três tipos de formações analisadas
A equipe identificou seis tipos distintos de padrões de fraturas em redes de terrenos poligonais nas planícies baixas de Vênus, com polígonos de aproximadamente 1 a 2 quilômetros de largura. Segundo os autores, essas rachaduras se assemelham às que se formam em lama do fundo do mar na Terra, quando camadas espessas de argila saturada de água são enterradas, compactadas e secam ao longo do tempo.
Foto: reprodução/sciencealert.com
Além dos terrenos poligonais, o estudo analisou canais batizados de "canali", que teriam sido esculpidos por correntes de água submarinas, e cristas rugosas presentes nas regiões mais baixas do planeta. Essas cristas seriam resultado da deformação sobre uma camada de sal com pelo menos 64 metros de espessura, formada à medida que os antigos oceanos evaporavam.
Comparação com a crise do Mediterrâneo
Para interpretar essas formações, os cientistas recorreram a um paralelo terrestre: a Crise de Salinidade do Messiniano, ocorrida há cerca de 6 milhões de anos, quando o Mar Mediterrâneo quase secou por completo, deixando para trás espessos depósitos de sal e um terreno rachado característico. Um efeito estufa descontrolado teria sido o gatilho da transformação climática que hoje faz de Vênus um planeta extremamente quente e seco.
Os próprios autores fazem uma ressalva importante: as evidências não são prova conclusiva, e explicações de origem vulcânica para essas estruturas continuam sendo cientificamente viáveis sem observações de maior resolução. A confirmação da hipótese deve depender de futuras missões, como a EnVision, da Agência Espacial Europeia, e a Veritas, da NASA, ambas com lançamento previsto para a próxima década.