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IASegurança23 de set. de 2026, 20:56

Óculos com câmera e microfone de IA viram alvo de desconfiança global

De processos contra a Meta a restrições no Reino Unido, a onda de desconfiança com óculos inteligentes que gravam o ambiente sem aviso pode travar a adoção de uma categoria de produto que a indústria vê como o próximo grande vestível.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O produto que prometia ser discreto virou motivo de desconfiança

A promessa era simples: óculos que parecem óculos comuns, mas gravam vídeo, ouvem áudio e conversam com assistentes de IA sem que ninguém perceba a diferença. O problema é justamente esse — ninguém percebe a diferença. E é essa discrição, vendida como vantagem, que está gerando uma reação em cadeia ao redor do mundo contra a nova geração de óculos inteligentes equipados com câmera e microfone.

A Meta, que fabrica os populares óculos em parceria com a EssilorLuxottica, uma das maiores fabricantes de óculos do mundo e dona da marca Ray-Ban, enfrenta processos judiciais nos Estados Unidos com alegações de gravações feitas sem consentimento. Uma das ações afirma que imagens captadas pelos óculos teriam sido enviadas a servidores da empresa e depois revisadas por funcionários humanos.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Não é só a Meta, e não é só um país

A lista de fabricantes apostando na categoria é maior do que parece à primeira vista. A Samsung fechou parcerias com a Gentle Monster e a Warby Parker para lançar seus próprios modelos. A OpenAI também tem investido no formato. Startups menos conhecidas do público brasileiro, como a Even Realities, fabricante chinesa de Shenzhen conhecida pelos modelos G1 e G2 de óculos inteligentes, além da Pocket e da Plaud, ambas startups americanas do setor de dispositivos vestíveis com IA, também disputam espaço nesse mercado nascente.

Foto: reprodução/insurancejournal.com

O desconforto não fica só nos tribunais americanos. No Reino Unido, já há restrições de uso em determinados estabelecimentos. A lógica é a mesma em todos os lugares: um óculos que grava sem um sinal visual óbvio — como uma luz piscando ou um som de obturador — retira de quem está ao redor a chance de saber que está sendo filmado ou ouvido.

O dilema por trás da tecnologia vestível

Aqui mora a contradição que a indústria terá de resolver. De um lado, óculos inteligentes são vistos como a bola da vez em wearables, sucessores naturais dos smartwatches. Do outro, a mesma característica que os torna atraentes — a discrição — é o que alimenta o medo de vigilância constante e sem aviso.

A saída que já aparece no radar de alguns fabricantes é o caminho oposto ao da discrição total: câmeras mais visíveis, indicadores luminosos mais claros e, em alguns casos, versões sem câmera nenhuma, apenas com microfone e assistente de voz. Resta saber se o mercado aceitará abrir mão de parte da "mágica" da invisibilidade em nome da confiança — ou se a pressão regulatória vai decidir isso por ele.

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