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Mercado23 de set. de 2026, 20:56

Óculos com IA: vendas disparam 263% e modelos sem tela dominam 96%

Levantamento da Counterpoint Research mostra que as remessas globais de óculos com inteligência artificial cresceram 263% no primeiro semestre de 2026, com a Meta à frente no segmento sem tela.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que resume o momento: 263%

As remessas globais de óculos equipados com inteligência artificial cresceram 263% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O dado é da Counterpoint Research, consultoria especializada em pesquisa de mercado de tecnologia, e confirma que o wearable deixou de ser nicho para virar uma das categorias que mais crescem no setor.

Sem tela é a fórmula que vende

Do total de aparelhos despachados, 96% são modelos sem tela — óculos que embarcam câmera, microfone e assistente de IA, mas sem exibir informações nas lentes. Esse segmento cresceu 258% na comparação anual e 22% apenas no último semestre, puxado por versões mais baratas e pela expansão para novos mercados.

A Meta lidera com folga essa fatia sem display: a companhia responde por cerca de 94% das remessas do segmento, com volume 260% maior que no ano anterior. A dianteira é sustentada pela parceria com a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, cujas variantes do óculos inteligente ajudaram a popularizar o formato.

Óculos com realidade aumentada crescem mais rápido, mas ainda são nicho

Enquanto os modelos sem tela dominam em volume, é o segmento de óculos com realidade aumentada e IA combinadas que registra o maior salto percentual: alta de 449% na comparação anual. Aqui o jogo é outro — fabricantes chineses como Rokid, Alibaba e INMO, além da Even Realities, dividem a liderança, com a Meta também presente, mas sem a mesma hegemonia do segmento sem tela.

Quem ganha e quem ainda corre atrás

A fotografia atual do mercado escancara uma corrida de duas velocidades. De um lado, Meta e EssilorLuxottica colhem os frutos de terem entrado cedo na categoria mais popular — a dupla já soma mais de 7 milhões de óculos com IA vendidos em 2025, com meta de alcançar 10 milhões de unidades até o fim de 2026. Do outro, fabricantes chineses avançam rápido no nicho de realidade aumentada, mas ainda não têm o alcance de distribuição da concorrente americana.

Quem ainda fica para trás é a Apple, que segundo apuração do setor prepara sua entrada no mercado de óculos inteligentes, mas chega depois da consolidação da Meta no segmento sem tela — justamente a fatia que responde por 96% de tudo que é vendido hoje. Regionalmente, China e América do Norte concentram a maior parte das remessas do segmento de realidade aumentada, com 45% e 41% respectivamente, reforçando que a disputa global ainda tem geografias bem definidas.

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