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Mercado23 de set. de 2026, 20:55

Oi diz ter R$ 0,01 em caixa e não define prazo para pagar ex-funcionários

Administração judicial informa à Justiça que a operadora está sem dinheiro para cumprir acordo de rescisão com cerca de mil ex-trabalhadores, dívida que soma R$ 72 milhões. Empresa propõe tratar demitidos como credores comuns, sem data para quitar o débito.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: R$ 0,01

A Oi — operadora de telecom que teve falência decretada pela Justiça do Rio pela segunda vez em agosto de 2026, após anos de recuperação judicial — informou ao processo que fechou setembro com apenas um centavo em caixa livre. O valor foi apresentado pela administração judicial, comandada por Bruno Rezende, em relatório protocolado em 22 de setembro na 7ª Vara Empresarial da capital fluminense.

O problema imediato tem nome e prazo: cerca de mil ex-funcionários demitidos aguardam o pagamento de verbas rescisórias que somam R$ 72 milhões, sendo R$ 30,4 milhões em verbas ordinárias (saldo de salário, aviso prévio, férias proporcionais) e R$ 41,6 milhões referentes à multa do FGTS. Uma primeira parcela de cerca de R$ 12 milhões venceria neste mês — e não foi paga.

Quem perde primeiro

Os ex-trabalhadores haviam fechado acordo homologado judicialmente para receber os valores de forma parcelada, em prazos de 6 a 10 meses conforme a faixa salarial. Agora a empresa propõe outra coisa: tratar esse grupo como qualquer outro credor da massa falida, com pagamentos proporcionais à medida que houver caixa disponível — sem cronograma definido. Na prática, isso empurra os ex-funcionários para o fim de uma fila que já disputa recursos escassos com fornecedores, bancos e outros credores bilionários.

Quem não perdeu, ao menos por ora, são os funcionários ativos: a administração judicial afirma que os salários da folha corrente seguem em dia, o que reforça a leitura de que a prioridade da empresa é manter alguma operação mínima funcionando enquanto tenta vender ativos.

O pano de fundo: uma falência que não é a primeira

A decretação de falência de agosto encerrou o segundo processo de recuperação judicial da Oi, que renegociava cerca de R$ 44,3 bilhões em dívidas. O patrimônio líquido do grupo é negativo em mais de R$ 22,6 bilhões, segundo dados de março de 2026. A administração judicial já havia sinalizado à Justiça o esgotamento dos recursos para cobrir despesas essenciais a partir daquele mês.

A aposta da companhia para tentar gerar algum fôlego financeiro está na venda de unidades produtivas isoladas, caso da UPI Oi Soluções, que tem despertado interesse de Sercomtel e Bay Invest. Enquanto isso não avança, a administração pediu à Justiça a liberação de R$ 30 milhões depositados em conta judicial — outro sinal de que a operação sobrevive hoje de decisões pontuais do Judiciário, não de receita própria. Cabe agora à Justiça decidir os próximos passos do impasse com os ex-funcionários.

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