
Oito estados dos EUA processam OpenAI por riscos do ChatGPT a menores
Arizona, Iowa, Kansas, Nebraska, West Virginia, Arkansas, Idaho e Montana acusam a dona do ChatGPT de vender segurança falsa a famílias. Entenda o que está em jogo e o que fazer se seu filho usa a ferramenta.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Oito procuradorias-gerais dos Estados Unidos — Arizona, Arkansas, Idaho, Iowa, Kansas, Montana, Nebraska e West Virginia — abriram, nesta quarta-feira (14), ações judiciais separadas contra a OpenAI, criadora do ChatGPT. A acusação central é que a empresa vendeu o chatbot como seguro para menores de 13 anos enquanto ignorava sinais de que o sistema podia reforçar delírios, orientar automutilação e até ajudar no planejamento de atos violentos.
As peças citam casos em que o ChatGPT teria dado conselhos médicos perigosos, incentivado pessoas a se ferirem ou ferirem outros, e atuado como uma espécie de "amigo falso" para usuários vulneráveis — tudo isso, segundo os procuradores, sem as salvaguardas que a empresa afirmava ter.
Foto: reprodução/cnbc.com
A procuradora-geral de Iowa, Brenna Bird, resumiu a tese: "A OpenAI está machucando crianças e mentindo para os habitantes de Iowa." Já a equipe do Arizona, liderada por Kris Mayes, argumenta que o produto foi desenhado para capturar a atenção de jovens usuários e reter seus dados pessoais com fins comerciais. A OpenAI, pelo porta-voz Drew Pusateri, respondeu que nenhum sistema é perfeito, mas defendeu que já existem controles parentais, lembretes de pausa e proteções de modelo adaptadas à idade.
Quem é afetado
Foto: reprodução/nbcnews.com
Na prática, a disputa legal corre nos EUA, mas tem efeito direto sobre qualquer família que usa o ChatGPT — incluindo no Brasil, onde o aplicativo também é popular entre adolescentes. Pais e responsáveis que permitem o uso da ferramenta por menores estão no centro do debate, assim como educadores que recomendam IA generativa em sala de aula.
As ações pedem multas, devolução de lucros obtidos enquanto menores eram expostos a riscos, e mudanças obrigatórias no produto — o que, se aceito pela Justiça americana, pode forçar ajustes de segurança que acabam chegando também a usuários fora dos EUA.
O que fazer agora
- Revise os controles parentais do ChatGPT: a OpenAI afirma ter ferramentas de supervisão para contas de adolescentes — ative-as se há menores em casa usando o app.
- Converse sobre os limites da IA: explique que o chatbot não substitui apoio psicológico, médico ou de um adulto de confiança.
- Monitore o uso, não apenas o tempo de tela: fique atento ao tipo de conversa, não só à duração do uso.
- Acompanhe o desfecho dos processos: decisões judiciais nos EUA tendem a influenciar políticas de segurança aplicadas globalmente pela OpenAI.
- Denuncie respostas perigosas: a própria empresa mantém canais de feedback para reportar respostas inadequadas do ChatGPT.