
Omen AI compra Aquatic Labs por US$ 16 milhões para atacar gasto de água em data centers
A aquisição une duas startups de sensores de resfriamento líquido num momento em que data centers de IA consomem bilhões de galões de água por ano nos EUA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 16 milhões para fechar uma lacuna de monitoramento
US$ 16 milhões em dinheiro e ações: esse é o valor que a Omen AI, startup americana fundada em 2024 que desenvolve sensores em tempo real para os fluidos de resfriamento usados em data centers de inteligência artificial, pagou para adquirir a Aquatic Labs, concorrente direta no mesmo nicho de monitoramento de líquidos de refrigeração. O negócio chega num momento em que o setor de data centers nos Estados Unidos já consome entre 17 e 19 bilhões de galões de água por ano — volume que, segundo projeções citadas na reportagem, deve triplicar nos próximos cinco anos por conta da expansão de infraestrutura para treinar e rodar modelos de IA.
A lógica da aquisição é de complementaridade tecnológica. Os sensores da Omen AI detectam elementos presentes na água de resfriamento; os da Aquatic Labs medem alcalinidade. Juntas, as duas tecnologias devem formar um sensor único, com lançamento previsto para o início de 2027, capaz de dar aos operadores de data center uma visão mais completa do fluido que circula pelos sistemas — o que ajuda a prever corrosão e acúmulo de minerais antes que causem parada não planejada.
Quem ganha com a consolidação
A Omen AI, que já havia levantado US$ 31 milhões em rodada Série A em junho e soma US$ 46 milhões captados no total, monitora atualmente chips com capacidade combinada de mais de 10 gigawatts em data centers — volume que a empresa estima representar entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões em infraestrutura sob observação até o fim deste ano.
Com a aquisição, Allan Adams, fundador da Aquatic Labs, físico e ex-professor do MIT com passagem pelo Woods Hole Oceanographic Institute, instituto de pesquisa oceanográfica dos EUA, assume o cargo de diretor de ciências (Chief Science Officer) da Omen AI e passa a liderar a área de pesquisa e desenvolvimento combinada.
Para o mercado de infraestrutura de IA, a mensagem é de consolidação precoce: um nicho que ainda nem tinha dois anos de existência já está se fundindo, sinal de que operadores de data center — pressionados por custo de energia, escassez de água e exigências ambientais — preferem fornecedores únicos e mais robustos a múltiplos provedores de sensores fragmentados.