
OMM revela novo recorde de gases de efeito estufa na atmosfera em 2025
Boletim anual da Organização Meteorológica Mundial mostra que CO2, metano e óxido nitroso atingiram concentrações recordes em 2025. O CO2 já está 53% acima do nível pré-industrial.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: a atmosfera que respiramos hoje carrega 53% mais dióxido de carbono do que carregava antes da Revolução Industrial. É o que confirma o 22º boletim anual da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU que monitora o clima global, divulgado nesta semana: a concentração média de CO2 em 2025 chegou a 426,8 partes por milhão (ppm), 153% do nível registrado antes de 1750.
Os números confirmados
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O boletim também registra recordes no metano (1.948 partes por bilhão, 267% do nível pré-industrial) e no óxido nitroso (339,1 ppb, 26% acima do patamar de 1750). Segundo a OMM, 65% das emissões de metano têm origem em atividades humanas, e o gás já responde por 16% do efeito de aquecimento causado pelos gases de longa duração — o CO2 continua sendo o principal vilão, com 81% do aumento do efeito estufa entre 1990 e 2025.
O crescimento anual de CO2 foi de 2,8 ppm em 2025, abaixo do pico registrado em anos recentes, mas ainda alto: desde a década de 1960, o ritmo triplicou, saindo de uma média de 0,8 ppm ao ano para 2,4 ppm anuais só entre 2011 e 2020.
"Mais um ano, mais um novo recorde. Os gases de efeito estufa estão retendo uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera", disse Ko Barrett, vice-secretária-geral da OMM, em comunicado.
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O que é hipótese
A cientista da OMM Oksana Tarasova projeta que 2026 deve trazer um aumento ainda maior na concentração de CO2 — mas essa é uma estimativa, não um dado medido. A aposta da OMM é que a queima de combustíveis fósseis combinada a um possível "Super El Niño" reduza a capacidade de florestas e oceanos de absorver carbono, repetindo o padrão observado no biênio 2023-2024, quando incêndios florestais intensificados pelo fenômeno climático prejudicaram os sumidouros naturais de carbono.
Já o alívio relativo de 2025 — crescimento um pouco menor que em anos anteriores — é atribuído a uma recuperação temporária da absorção terrestre de carbono, não a uma redução nas emissões.
O que falta responder
O boletim não detalha quanto do recorde é resultado de decisões de política energética dos principais países emissores, nem estabelece uma meta de contenção associada aos números. Esse recorte deve aparecer nas próximas negociações climáticas da ONU.