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Ciência09 de set. de 2026, 23:27

ONU recomenda trocar mapa de Mercator, mas apps não devem mudar

Assembleia Geral da ONU aprovou resolução para substituir a projeção de Mercator pela Equal Earth em mapas oficiais. Google Maps e outros apps de navegação devem manter o modelo antigo, que segue padrão técnico do setor.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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A Assembleia Geral da ONU aprovou, em 4 de setembro de 2026, resolução que recomenda a substituição da projeção de Mercator pela Equal Earth em mapas de governos, escolas e empresas de tecnologia. A votação teve 164 votos a favor, seis abstenções e um voto contrário, dos Estados Unidos.

A proposta, batizada de "Correct the Map", foi liderada por Togo com apoio da União Africana. O texto argumenta que a Mercator distorce o tamanho de países próximos ao equador, com destaque para a África.

O problema da projeção de 500 anos

A Mercator foi criada em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator para facilitar a navegação marítima.

O modelo infla o tamanho de regiões próximas aos polos e reduz o das regiões equatoriais. Na prática, a Groenlândia aparece do mesmo tamanho que a África, quando o continente africano é cerca de 14 vezes maior.

A resolução não tem caráter obrigatório. Ela não proíbe o uso da Mercator nem impõe a adoção da Equal Earth, projeção criada em 2018 pelos cartógrafos Tom Patterson, Bernhard Jenny e Bojan Šavrič.

Navegação marítima e aérea seguem fora da mudança

O texto aprovado pela ONU faz uma ressalva explícita: a resolução "não desafia de forma alguma o uso da projeção de Mercator para navegação marítima e aérea", área em que o modelo permanece adequado.

A razão é técnica. A Mercator preserva ângulos e direções em linha reta, propriedade essencial para o traçado de rotas de navios e aviões.

Por que Google Maps e outros apps devem manter Mercator

Apps populares de navegação, como o Google Maps, não devem abandonar a projeção por um motivo prático: a Web Mercator (variação usada por plataformas digitais desde os anos 2000) permite dividir o mapa em blocos retangulares que se encaixam em qualquer nível de zoom, o que facilita o carregamento rápido de mapas na internet.

O Google Maps já oferece uma alternativa: desde 2018, a versão de desktop mostra um globo 3D quando o usuário afasta o zoom ao máximo. No celular, porém, o app continua usando Mercator como padrão.

Trocar a arquitetura de tiles que sustenta apps de navegação por uma projeção de área igual como a Equal Earth exigiria reconstruir sistemas usados por bilhões de pessoas, o que explica a resistência do setor mesmo diante do apoio da ONU.

O que muda a partir de agora

A resolução pede que governos, escolas e empresas de tecnologia dialoguem sobre a adoção de projeções mais fiéis às proporções reais do planeta.

A França anunciou, horas antes da votação, que vai abandonar a Mercator em seus mapas oficiais. Outros países devem seguir o mesmo caminho nos próximos meses.

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