
OpenAI acusa ex-funcionário de levar planos de dispositivo sigiloso à Apple
Em petição judicial, a OpenAI diz que um ex-funcionário baixou mais de 100 arquivos confidenciais sobre um dispositivo não lançado antes de voltar à Apple; a fabricante do iPhone nega qualquer uso indevido.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Os 100 arquivos que viraram munição judicial
Cem arquivos confidenciais. É esse o número que a OpenAI apresentou à Justiça americana para sustentar que um ex-funcionário levou para a Apple informações sigilosas sobre um dispositivo ainda não lançado pela empresa de Sam Altman. Segundo a petição, boa parte do material foi copiada para contas pessoais já de madrugada, no horário de Singapura, no último dia de trabalho do funcionário na OpenAI, em 2 de junho.
De volta à Apple em seis meses
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O caso chama atenção pelo timing: o profissional já tinha passado pela Apple antes, ficou apenas seis meses na OpenAI e depois retornou à fabricante do iPhone. Na petição, a OpenAI afirma que ele fez uma apresentação com os planos do dispositivo para a liderança sênior da Apple, incluindo o vice-presidente de operações da empresa na Ásia — ou seja, não um recrutador qualquer, mas quem decide rumo de produto.
Apple nega e cita política interna
A Apple disse à imprensa americana que não encontrou nenhuma evidência que sustente a acusação e que mantém políticas rígidas para impedir que novos contratados usem informação confidencial de empregadores anteriores. A empresa também já havia topado, em acordo preliminar, não usar eventuais segredos comerciais da OpenAI enquanto o processo corre.
Um capítulo de uma guerra maior
Esse embate não nasceu agora. Em julho, foi a Apple que processou a OpenAI, acusando a rival e dois ex-funcionários da própria Apple de conspirar para extrair dados confidenciais sobre design de produto, manufatura e cadeia de suprimentos. A disputa ganha peso porque as duas empresas competem diretamente pelo mesmo tipo de produto: um dispositivo de hardware com inteligência artificial embarcada, categoria que a OpenAI tenta destravar desde que contratou o ex-designer da Apple Jony Ive.
Quem perde, por ora, é a confiança entre as duas empresas — não há decisão de mérito nem valor de indenização definido. Quem ganha, pelo menos no curto prazo, são os advogados: o processo deve se arrastar por meses, e cada nova petição funciona como mais uma rodada de pressão pública antes de qualquer acordo.