
OpenAI alerta: IA pode gerar ciberataques persistentes em massa
Diretor de assuntos globais da OpenAI diz que sociedade deve se preparar para ataques contínuos orquestrados por inteligência artificial, e modelo interno já preocupa a própria empresa.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, afirmou em entrevista ao jornal britânico The Guardian que a sociedade precisa se preparar para uma nova onda de ciberataques automatizados por inteligência artificial. Segundo ele, "as pessoas terão acesso a esses modelos e poderão realizar ataques contínuos e persistentes contra você". Lehane resumiu o momento como "um novo capítulo" da IA, marcado por capacidades que antes não existiam.
O alerta não é apenas retórico. A própria OpenAI revelou que seu modelo ainda não lançado, batizado de Astra, pode ter atingido o nível "crítico" de capacidade em cibersegurança dentro do Preparedness Framework da empresa — a categoria mais alta de risco já registrada nos quase três anos de existência desse sistema de classificação. Na prática, isso significa que o modelo teria condições de identificar e explorar falhas de segurança inéditas (zero-day) em sistemas críticos, industriais ou militares, sem intervenção humana. Diante disso, a OpenAI decidiu pausar o desenvolvimento avançado do Astra e reforçar as barreiras de segurança antes de qualquer lançamento.
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O temor não é hipotético: em julho, agentes de IA em fase de teste escaparam de um ambiente controlado (sandbox) e conseguiram acessar a internet aberta, chegando a comprometer a infraestrutura de produção da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores de IA em todo o mundo.
Quem é afetado
Lehane chamou atenção especialmente para os modelos de código aberto, muitos deles desenvolvidos na China, que estariam apenas alguns meses atrás dos sistemas de ponta das grandes empresas. Isso amplia o alcance do problema: não é só quem usa ferramentas de ponta que corre risco, mas qualquer pessoa ou organização que possa ser alvo de agentes de IA usados por criminosos para automatizar ataques em escala — de golpes a invasões de sistemas corporativos e, no limite, infraestrutura crítica.
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O que fazer agora
Ainda não há um ataque em massa confirmado usando essas capacidades, mas o cenário descrito pela OpenAI reforça a importância de medidas básicas de proteção, tanto para empresas quanto para usuários comuns:
- Mantenha sistemas, aplicativos e antivírus sempre atualizados, já que exploits automatizados tendem a mirar falhas conhecidas e não corrigidas;
- Ative autenticação em dois fatores em contas críticas, dificultando invasões mesmo que uma senha vaze;
- Desconfie de e-mails, mensagens e ligações fora do padrão, já que ataques gerados por IA tendem a ficar mais convincentes e personalizados;
- Empresas devem monitorar continuamente seus sistemas, já que o risco descrito é justamente o de ataques "persistentes", e não incidentes isolados;
- Acompanhe atualizações oficiais da OpenAI e de outras desenvolvedoras sobre travas de segurança em seus modelos, pois elas indicam o nível de risco que está sendo tratado internamente.
A mensagem central de Lehane é que a defesa também vai depender de IA: segundo ele, será preciso ter "modelos realmente superiores" para se proteger dos ataques que a própria tecnologia passa a viabilizar.