
OpenAI, Anthropic e Nvidia batem recorde de lobby nos EUA
Nvidia, Anthropic e OpenAI tiveram seus trimestres de maior gasto em lobby nos EUA entre julho e setembro, somando US$ 5,8 milhões em meio à corrida por regulação de IA em Washington.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 2,2 milhões, US$ 2,1 milhões, US$ 1,5 milhão
A Nvidia, fabricante de chips que domina o treinamento de modelos de inteligência artificial, gastou US$ 2,2 milhões em lobby nos Estados Unidos entre julho e setembro — primeira vez que a empresa passa de US$ 2 milhões em um único trimestre. Na cola, vieram a Anthropic, criadora do chatbot Claude e rival direta da OpenAI, com US$ 2,1 milhões, e a própria OpenAI, com US$ 1,5 milhão. Para as três, foi o trimestre de maior gasto em lobby já registrado, segundo declarações federais obtidas pela imprensa americana.
Os números ajudam a contextualizar o tamanho do salto: a OpenAI só passou de US$ 1 milhão por trimestre neste ano, e não superava US$ 500 mil até o fim de 2024. O recorde anterior da Anthropic havia sido pouco mais de US$ 1 milhão, no ano passado. Para comparação, big techs mais maduras já operam em outra escala: a Microsoft gasta ao menos US$ 2 milhões por trimestre desde 2021, o Google regularmente passa de US$ 3 milhões, e a Apple também teve trimestre recorde, com US$ 3,1 milhões.
Em que elas gastaram o dinheiro
Os temas variam, mas têm um fio comum: regulação de IA ganhando urgência em Washington. A Anthropic fez lobby sobre disposições de inteligência artificial no Kids Online Safety Act, controles de exportação de chips e uma ordem executiva de Trump que renomeou o tema de IA para "Super Intelligence" dentro do governo. A OpenAI tratou de direitos autorais, avaliações de segurança cibernética para modelos de fronteira e proteções antitruste para compartilhamento de dados entre concorrentes. Já a Nvidia mirou redes 6G, política de concorrência e os mesmos controles de exportação que afetam diretamente a venda de seus chips à China.
Quem ganha com a corrida por influência
O salto coincide com um almoço na Casa Branca entre CEOs de tecnologia e Trump, que resultou em um acordo "moralmente vinculante" sobre segurança em IA — pouco antes de o governo nomear seu próprio "czar" de inteligência artificial. Quanto mais dinheiro passa a circular nesse jogo, maior a vantagem de quem já tem escritório em Washington: empresas menores do setor de IA, sem orçamento para disputar lobistas, ficam de fora da mesa onde as regras estão sendo escritas.