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IAMercado30 de ago. de 2026, 01:40

OpenAI corta acesso do Cursor após compra pela SpaceX e alfineta Musk

A OpenAI vai encerrar em 12 de novembro o fornecimento de modelos de IA ao Cursor, comprado pela SpaceX por US$ 60 bilhões, alegando desconfiança no cumprimento dos termos de uso por empresas de Elon Musk. Musk revidou chamando Sam Altman e Greg Brockman de 'não confiáveis'.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O corte de acesso

A OpenAI anunciou que vai encerrar, a partir de 12 de novembro de 2026, o fornecimento de seus modelos de inteligência artificial para o Cursor, plataforma de programação assistida por IA que a SpaceX comprou por US$ 60 bilhões em um negócio fechado em 14 de agosto. É o primeiro caso concreto em que a OpenAI usa acesso a modelo como arma na disputa que mantém com Elon Musk há anos.

Segundo a empresa, a decisão é motivada por falta de confiança: "Não podemos ter certeza de que a SpaceX vai usar nossa tecnologia dentro dos nossos termos de serviço, com base na nossa experiência com empresas de Elon Musk violando contratos", afirmou a OpenAI em comunicado. A companhia citou o corte do acesso do Twitter (hoje parte da SpaceX/X Corp) ao feed de tweets em dezembro de 2022, após descobrir um acordo paralelo de US$ 2 milhões por ano, além do uso de dados de outros modelos para treinar o Grok, prática que Musk admitiu sob juramento durante o processo judicial movido contra a OpenAI.

Quem ganha e quem perde

Na prática, o impacto no Cursor é limitado: segundo o CEO Michael Truell, os modelos da OpenAI respondem por apenas 5% do tráfego de IA da ferramenta, hoje dominada por modelos da Anthropic e do Google. Usuários que dependem do GPT no Cursor ainda poderão acessá-lo via chave de API própria ou pela extensão oficial da OpenAI para o editor. A Anthropic, concorrente direta, já sinalizou que vai ampliar a capacidade computacional dedicada ao Claude dentro do Cursor — um sinal claro de quem sai fortalecido comercialmente do racha.

Para a OpenAI, o gesto tem custo baixo (5% de tráfego perdido) e retorno político alto: reforça o discurso de que empresas ligadas a Musk não são parceiras confiáveis, justo no momento em que a companhia se prepara para lançar o modelo Astra, apontado como o primeiro a atingir o mais alto nível de risco de cibersegurança da própria classificação interna da OpenAI.

A resposta de Musk

Musk reagiu no X chamando o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman de "não confiáveis" e repetindo a acusação de que os dois "roubaram uma organização sem fins lucrativos de código aberto" — referência à disputa judicial em que pedia indenização entre US$ 79 bilhões e US$ 134 bilhões da OpenAI e da Microsoft, e que um júri federal rejeitou neste ano por considerar que ele demorou demais para acionar a Justiça. "Não poderia me importar menos", escreveu o bilionário sobre o corte de acesso.

Cursor e OpenAI, segundo o próprio Truell, ainda negociam uma saída para o imbróglio antes da data-limite de novembro.

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