
OpenAI descarta IPO em 2026 e adia decisão sobre valuation de US$ 1 tri
Sam Altman afirmou que abrir capital agora seria uma decisão 'mal aconselhada' diante das incertezas sobre segurança de IA, apesar de a empresa já ter protocolado documentação confidencial para a oferta.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1 trilhão é o valuation que o mercado especula para a OpenAI — e que Sam Altman não quer arriscar em 2026
"Eu diria que não em 2026. Temos muita coisa para fazer." A frase de Sam Altman, CEO da OpenAI, enterra por ora a expectativa de um IPO ainda este ano, mesmo depois de a empresa ter protocolado documentação confidencial na SEC em maio, tornada pública em junho, com Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan cotados para liderar a oferta.
O recuo tem preço. Analistas apontavam a possibilidade de a OpenAI estrear na bolsa com valuation acima de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,3 trilhões) — patamar que a colocaria entre as maiores estreias da história recente, ao lado de nomes como Saudi Aramco e Alibaba. Para efeito de comparação, a rodada mais recente da própria empresa, fechada em março, avaliou a companhia em US$ 852 bilhões. Ou seja, o mercado já embutia um salto expressivo de valuation só com a chegada à bolsa — salto que agora fica represado por, no mínimo, mais um ano.
Foto: reprodução/techcrunch.com
Segurança como justificativa, mas também como cortina de fumaça para o timing
Altman citou três frentes como condicionantes para o IPO: segurança e alinhamento dos modelos de IA, a definição de como empresas e governos vão trabalhar juntos na regulação do setor, e o "momento social" adequado para uma oferta desse porte. Segundo o executivo, fazer o IPO agora, em meio ao aumento das incertezas sobre segurança de IA, seria uma decisão "mal aconselhada".
O timing da declaração não é neutro. Ela vem dias depois de um pesquisador deixar a Anthropic — concorrente direta da OpenAI — criticando publicamente o ritmo de desenvolvimento do setor, e de Dario Amodei, CEO da Anthropic, defender publicamente a desaceleração no lançamento de novos modelos. Altman disse concordar com o ponto e admitiu discussões internas na OpenAI sobre desacelerar.
Quem ganha tempo, quem perde janela
A OpenAI ganha tempo para amadurecer governança e discurso regulatório antes de se expor ao escrutínio trimestral do mercado público. Mas adiar também tem custo: a Anthropic já sinaliza movimento para iniciar processo de venda de ações a partir de outubro, o que pode roubar parte da atenção — e do apetite — de investidores que hoje disputam espaço nas mesas de operações mais aquecidas do setor de IA. Reportagens anteriores especulavam 2027 como nova janela, mas Altman evitou confirmar qualquer data.