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IASegurança16 de ago. de 2026, 22:45Atualizada em 17 de ago. de 2026, 21:44

OpenAI dissolve equipe que avaliava riscos catastróficos de seus modelos

O preparedness team, criado em 2023 para prever e mitigar riscos graves da IA da OpenAI, foi encerrado no fim de julho de 2026, segundo o Financial Times.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O que a Financial Times revelou

A OpenAI encerrou, no fim de julho de 2026, o preparedness team — a equipe interna criada especificamente para prever e mitigar os riscos mais graves que seus próprios modelos de IA poderiam causar. A informação foi confirmada por fontes ouvidas pelo Financial Times e reproduzida pelo site The Verge.

Para que servia essa equipe

Foto: reprodução/cnbc.com

Criado em 2023, o preparedness team funcionava como uma espécie de sistema de alarme antecipado da OpenAI. Em bom português: era o grupo encarregado de simular cenários de uso indevido de IA — de phishing em massa a ameaças biológicas e cibernéticas — e propor barreiras antes que esses riscos se tornassem reais. O primeiro chefe da área, Aleksander Madry, foi remanejado para outra função já em julho de 2024; ele deixou a OpenAI de vez em maio de 2026.

O que muda agora

Segundo a empresa, as responsabilidades sobre temas como biologia e segurança cibernética não desaparecem: passam a ser absorvidas por integrantes experientes de equipes já existentes, dentro da estrutura geral de governança de segurança, que a OpenAI garante seguir intacta. Na prática, o time dedicado que só cuidava desse tema deixa de existir como unidade independente.

Um padrão que se repete

Não é a primeira vez. Em maio de 2024, a OpenAI dissolveu o Superalignment, equipe voltada a riscos de longuíssimo prazo, após a saída de nomes como Jan Leike, que acusou a empresa de deixar a cultura de segurança em segundo plano diante de "produtos brilhantes". No início de 2026, foi a vez do mission alignment team — descrito internamente como a consciência organizacional da empresa — ser desmontado, com integrantes espalhados por outras áreas.

Os dois lados

Para a OpenAI, distribuir especialistas em segurança pelas equipes de produto é uma forma de tornar essas preocupações parte do trabalho de todos, não um apêndice isolado. Para críticos, é o oposto: sem um time dedicado e com orçamento próprio, a segurança compete por atenção com metas de lançamento e prazos comerciais — e tende a perder. Com a OpenAI se preparando para uma eventual oferta pública, a pergunta que fica é se a governança de riscos catastróficos resiste à pressão por resultados trimestrais.


Atualização (17/08, 21:44): Segundo o Financial Times, a dissolução da equipe de Preparedness da OpenAI, ocorrida no fim de julho, não significou o fim do trabalho de avaliação de riscos catastróficos nem demissões em massa: funcionários seniores foram remanejados para outras equipes já existentes dentro da empresa, onde passam a cuidar de áreas específicas do antigo framework de preparedness, como riscos cibernéticos e biológicos.

O cofundador Greg Brockman defendeu a mudança como um fortalecimento da segurança, argumentando que incorporar essas responsabilidades diretamente às equipes de desenvolvimento de modelos e produtos é mais eficaz do que mantê-las isoladas em um grupo separado. A reestruturação foi enquadrada pela OpenAI como parte de um processo de "streamlining" antes de uma possível oferta pública inicial (IPO) da empresa.

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