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IA09 de set. de 2026, 08:42

OpenAI é acusada de jogo sujo em disputa por prova matemática milionária

Matemático da NYU afirma que a OpenAI usou informações privilegiadas e pressão indevida para chegar antes a uma prova ligada ao problema de Navier-Stokes, um dos Problemas do Milênio. A empresa nega qualquer acesso ao trabalho alheio.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma corrida que ninguém devia ter vencido por atalho

Imagine passar meses tentando resolver um quebra-cabeça raríssimo, escolher um caminho pouco óbvio para atacá-lo e, de repente, descobrir que uma gigante da tecnologia chegou à resposta pela mesma rota inusitada, quase ao mesmo tempo. Foi essa a sensação relatada por Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York, a NYU, uma das principais universidades de pesquisa dos Estados Unidos, sediada em Manhattan. Buckmaster afirma que a OpenAI agiu de forma antiética na disputa por resultados ligados ao problema de existência e suavidade de Navier-Stokes, um dos sete Problemas do Milênio listados pelo Clay Mathematics Institute, instituto de pesquisa matemática dos Estados Unidos que oferece prêmios de US$ 1 milhão a quem resolver cada um desses enigmas.

O que diz o matemático

Buckmaster trabalhava com Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic, num caminho específico e pouco convencional para atacar o problema — algo como escolher uma trilha alternativa numa mata fechada em vez da estrada batida que todo mundo usa. Segundo ele, informações sobre esse progresso teriam chegado à OpenAI antes da publicação pública, e a empresa teria usado sua vantagem em poder computacional para produzir uma prova formal primeiro, seguindo exatamente a mesma rota "secreta". Buckmaster também relata pressão para retirar o crédito de Alpöge da autoria — motivada, segundo ele, pelo fato de Alpöge trabalhar para a rival Anthropic — e cita frases atribuídas a Sébastien Bubeck, que lidera a pesquisa matemática da OpenAI, como "por que você estragaria sua carreira?" e "se você não precisa ser gentil, eu também não preciso".

A versão da OpenAI

A empresa nega tudo. Diz que nem seus pesquisadores nem seus agentes de IA tiveram acesso ao trabalho de Buckmaster e Alpöge antes da divulgação pública, e classifica as acusações como "falsas e inflamatórias". Segundo a OpenAI, cerca de 10 mil agentes de IA trabalharam simultaneamente no problema, chegando ao resultado em aproximadamente 88 horas — um esforço computacional que a empresa estima ter custado na casa dos milhões de dólares, com consumo de cerca de 300 bilhões de tokens de saída.

Por que isso importa

O caso expõe uma tensão nova: laboratórios de IA hoje têm poder de fogo computacional para atropelar anos de trabalho humano em dias, o que reacende debates sobre integridade acadêmica, crédito de autoria e concorrência desleal entre gigantes de tecnologia. O problema de Navier-Stokes, que descreve o comportamento de fluidos e é usado desde previsão do tempo a projetos de aviões, segue sem solução reconhecida pelo Clay Mathematics Institute — o prêmio de US$ 1 milhão continua sem dono, mesmo em meio à polêmica.


Atualização (08/09, 18:50): Atualização (08/09/2026): Em coletiva de imprensa, o pesquisador da OpenAI Sebastien Bubeck negou publicamente as acusações feitas pelo matemático Tristan Buckmaster, da Universidade de Nova York (NYU), classificando-as como “false and inflammatory” (“falsas e inflamatórias”). É a primeira reação verbal direta da OpenAI ao caso, além da nota escrita divulgada anteriormente pela empresa.

Buckmaster mantém a acusação de que a OpenAI teve acesso, possivelmente via sessões privadas no Codex, ao método usado por ele e pelo pesquisador Levent Alpöge, que atua na Anthropic, concorrente da OpenAI, antes de a empresa anunciar sua própria solução completa para o problema de Navier-Stokes, um dos sete Problemas do Milênio do Clay Mathematics Institute, com prêmio de US$ 1 milhão.


Atualização (08/09, 21:44): A OpenAI revelou detalhes de como um sistema interno da empresa teria efetivamente produzido uma prova para o problema de existência e suavidade de Navier-Stokes, um dos sete "Problemas do Milênio" listados pelo Clay Mathematics Institute, cada um com prêmio de US$ 1 milhão a quem apresentar solução válida.

Segundo a empresa, cerca de 10 mil agentes de IA trabalharam simultaneamente no problema a partir de 1º de setembro, chegando a uma solução em 5 de setembro, com mais 17 horas dedicadas à verificação formal em Lean, linguagem usada para checagem matemática. O processo consumiu 4,9 milhões de mensagens, cerca de 300 bilhões de tokens e milhões de dólares em poder computacional. A prova descreve um vórtice que "gira para dentro e se alonga progressivamente", ganhando velocidade até formar uma singularidade em tempo finito a partir de um estado inicial suave, sem necessidade de forças externas infinitas. A OpenAI afirmou que não vai reivindicar o prêmio de US$ 1 milhão, optando por publicar o trabalho para análise da comunidade científica.

O anúncio chega em meio à disputa já noticiada envolvendo o matemático Tristan Buckmaster (NYU), que acusa a empresa de ter se apropriado de uma rota técnica desenvolvida por ele e por Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic. A OpenAI reconheceu que pesquisadores ligados a Buckmaster resolveram uma variante diferente do problema (equações de Euler com força externa), mas nega ter tido acesso prévio ao material antes de sua publicação.

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