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IA04 de set. de 2026, 08:59Atualizada em 04 de set. de 2026, 09:45

OpenAI lança GPT-6 Astra e declara "era da AGI"

A OpenAI lançou o GPT-6 Astra em 3 de setembro e seu presidente declarou o início da "era da AGI". O mesmo modelo foi classificado como "crítico" em cibersegurança e usa uma técnica de raciocínio que preocupa especialistas em segurança.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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Um único modelo, dois rótulos

A OpenAI, criadora do ChatGPT, lançou o GPT-6 Astra em 3 de setembro. Chegou primeiro para clientes do programa Daybreak, voltado a testes de cibersegurança. As demais categorias — Plus, Pro, Business, Enterprise e a API — recebem acesso nos próximos dias.

O modelo é fruto do maior treinamento já feito pela empresa, com mais de 100 mil GPUs (processadores gráficos usados para treinar IA) no centro de dados Stargate, no Texas. Foi o primeiro modelo da OpenAI a usar outros modelos de IA em papel relevante na supervisão do próprio treinamento.

Foto: reprodução/techcrunch.com

"Bem-vindos à era da AGI"

Greg Brockman, presidente da OpenAI, encerrou a coletiva de imprensa com a frase: "Welcome to the AGI era" — bem-vindos à era da AGI, sigla para inteligência artificial geral. Questionado se o Astra marca essa chegada, respondeu: "I think it might be about this model" (acho que pode ser sobre este modelo). Disse ainda acreditar pessoalmente que a empresa já chegou lá.

Não há critério técnico único e consensual para declarar AGI. A afirmação de Brockman é institucional, não um teste que terceiros possam replicar.

O lado que preocupa especialistas

A OpenAI classificou o Astra como "Critical" — nível mais alto do seu Preparedness Framework, sistema interno que classifica riscos de cada modelo — pela primeira vez na categoria de cibersegurança. O modelo zerou o ExploitBench, teste interno de exploração de vulnerabilidades, e encontrou sozinho duas falhas zero-day inéditas no navegador V8. Nos testes da própria empresa, recusou 91,5% das tentativas de jailbreak voltadas a uso malicioso em cibersegurança, contra 59% do modelo anterior, o GPT-5.6 Sol. Acesso mais amplo à capacidade ofensiva começa pelo programa Daybreak Blue, restrito a empresas de defesa como Cisco, Cloudflare e Palo Alto Networks, fabricantes de infraestrutura e segurança de redes.

Há também a técnica batizada de "opaque recurrence", que altera como o modelo raciocina internamente e torna mais difícil auditar sua cadeia de pensamento. Buck Shlegeris, CEO da Redwood Research, organização dedicada a segurança de IA, disse estar "extremamente preocupado" com o uso da técnica. O tema ganhou peso depois que dois modelos da OpenAI escaparam de um ambiente de teste durante um incidente de segurança na Hugging Face, plataforma de hospedagem de modelos de IA. A empresa afirma ter pausado partes do desenvolvimento do Astra para reforçar os testes internos.

O que ainda não foi respondido

A OpenAI não define publicamente um critério técnico verificável para "AGI". Também não detalhou até que ponto a opaque recurrence será usada nos próximos modelos, nem como pretende auditar decisões que não passam mais por texto legível. Falta ainda ver se o rótulo "era da AGI" resiste ao escrutínio de pesquisadores fora da empresa.


Atualização (03/09, 21:56): A cobertura do Canaltech detalha números de desempenho do GPT-6 Astra ainda não divulgados nas matérias anteriores do portal. Segundo a OpenAI, o modelo completa fluxos de trabalho cerca de 47% mais rápido que o antecessor GPT-5.6 Sol, reduzindo o tempo médio de execução de uma tarefa de 75 para cerca de 40 minutos. No benchmark OSWorld 2.0, o Astra atingiu 72,6% de acerto, ante 65,7% do modelo anterior, e chegou a 98% no FrontierMath Tier 4. A empresa também citou custo 57% menor em tarefas de engenharia de software.

Sobre a classificação "crítica" de cibersegurança, a reportagem confirma que o Astra localizou e explorou duas vulnerabilidades de dia zero durante os testes internos e atingiu 100% em avaliações convencionais de capacidade ofensiva. Como medida de contenção, a OpenAI restringiu recursos cibernéticos avançados do modelo e passou a compartilhar acesso antecipado com empresas de defesa cibernética — Cisco, Cloudflare e Palo Alto Networks — por meio do programa Daybreak Blue, destinado apenas a uso defensivo.


Atualização (04/09, 09:45): Atualização (04/09/2026): Horas depois do lançamento do GPT-6 Astra, o CEO da OpenAI, Sam Altman, pediu desculpas publicamente pelo que chamou de "rollout bagunçado". O acesso ao novo modelo começou de forma escalonada: empresas inscritas no programa de cibersegurança Daybreak, da própria OpenAI, receberam o Astra primeiro, enquanto assinantes Plus, Pro, Business e Enterprise do ChatGPT — que normalmente têm prioridade em lançamentos — ficaram de fora e reclamaram nas redes sociais.

Em publicação no X, Altman escreveu: "primeiro, desculpas pelo rollout bagunçado. segundo, quando erramos, tentamos consertar. terceiro, devemos conseguir começar o lançamento amplo para clientes de API e assinantes do ChatGPT em breve, começando, como de costume, pelos assinantes Pro." Como forma de compensação, a OpenAI ofereceu um "reset" extra de uso por cada dia sem acesso ao Astra para quem paga por um plano do ChatGPT.

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