
OpenAI lança modelo de cibersegurança. Será que basta?
O GPT-6 Cyber encontrou 81 falhas no Firefox e criou exploits para 948 bugs do kernel Linux. A OpenAI classifica o modelo como "crítico" em risco cibernético — e isso levanta mais perguntas do que respostas.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número que abre a história
81 falhas novas de alta severidade no Firefox. 948 bugs do kernel Linux com exploit funcional pronto. Foi isso que o GPT-6 Cyber, novo modelo de cibersegurança da OpenAI, encontrou em testes internos.
A empresa liberou o modelo nesta quarta-feira. Primeiro, para um grupo pequeno de clientes aprovados no Daybreak Red, programa que dá acesso a pesquisadores de segurança ofensiva via API e pela ferramenta de programação Codex.
Foto: reprodução/cybersecuritynews.com
O que o modelo faz
GPT-6 Cyber é treinado para achar e explorar vulnerabilidades. No ExploitGym, teste interno que mede se um modelo consegue explorar uma falha conhecida, o GPT-6 Cyber pontuou 48,5%. O antecessor, GPT-5.6 Cyber, tinha ficado em 32,1%.
A OpenAI, empresa americana responsável pelo ChatGPT, agora classifica esse modelo como "crítico" em risco cibernético dentro do seu próprio framework de segurança — o nível mais alto da escala interna da companhia.
O controle de acesso
O acesso passa por aprovação prévia. Mas a verificação, segundo relato do pesquisador Max Justicz, consistiu em enviar uma foto de documento de identidade. Justicz usou o modelo para achar uma falha crítica no Ubuntu em duas horas.
A OpenAI também expandiu o Daybreak Red para a nuvem governamental AWS GovCloud, abrindo acesso a defensores de infraestrutura crítica, como usinas de energia e sistemas de água. Criou ainda um programa de doação de US$ 1 bilhão para equipes de defesa cibernética de linha de frente.
O que ainda falta responder
Apenas milhares de profissionais têm acesso aprovado ao Daybreak Red. O número de atores maliciosos com capacidade e interesse em abusar de modelos parecidos é, por definição, maior e mais difícil de controlar.
A verificação de identidade frouxa relatada por Justicz expõe uma lacuna entre a classificação de "risco crítico" dada pela própria OpenAI e o rigor prático do controle de acesso. Também não está claro o que impede a circulação de versões sem as travas de segurança do modelo — os chamados guardrails — fora do programa oficial.
A OpenAI lançou uma ferramenta poderosa para encontrar falhas antes dos criminosos. Resta saber se o controle sobre quem usa essa ferramenta é tão robusto quanto a capacidade técnica do modelo.