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MercadoIA30 de set. de 2026, 01:34

OpenAI lança suíte de escritório dentro do ChatGPT e mira a Microsoft

A OpenAI apresentou Space, Pages, Collaborative Slides e os agentes Dots durante o Dev Day 2026, um pacote que se parece cada vez mais com um substituto direto do Microsoft 365. A mudança acirra a disputa entre as duas empresas, que hoje são parceiras e rivais ao mesmo tempo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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OpenAI entra de vez na briga por escritório digital

A OpenAI anunciou nesta terça-feira (29), durante seu Dev Day 2026 em São Francisco, uma suíte de produtividade embutida no ChatGPT que empurra a empresa para um confronto direto com a Microsoft, sua principal investidora e ao mesmo tempo concorrente crescente. Os novos recursos — Space, Pages, Collaborative Slides e os agentes chamados Dots — reproduzem, em formato conversacional, funções que hoje pertencem ao Microsoft 365 e ao Google Workspace.

O que foi lançado

O ChatGPT Space é um ambiente colaborativo compartilhado onde equipes trabalham lado a lado com o chatbot e com agentes de IA em páginas e arquivos comuns. Segundo o CEO da OpenAI, Sam Altman, "suas páginas e arquivos vivem juntos no Space, como viveriam em um drive", e os espaços de trabalho "parecem vivos", atualizando-se automaticamente conforme canais da equipe mudam.

Dentro do Space estão as Pages, uma ferramenta de edição de texto apresentada como alternativa direta ao Google Docs e ao Microsoft Word, permitindo escrever, pesquisar, gerar gráficos e criar imagens em um único documento colaborativo. Já o Collaborative Slides é o equivalente a um PowerPoint dentro do ChatGPT: usuários criam apresentações a partir de uma conversa, com edição e comentários simultâneos de várias pessoas, e podem exportar o resultado para PowerPoint ou Google Slides.

Completam o pacote os Dots, agentes de IA com personalidade própria que executam tarefas em nome do usuário dentro desse ambiente de trabalho compartilhado. De acordo com reportagens que acompanharam o evento, o recurso está disponível para assinantes dos planos Pro, Business e Enterprise, via web e aplicativo de desktop — o suporte para celular ainda é limitado a leitura e compartilhamento.

Quem ganha e quem perde

O movimento é o sinal mais claro até agora de que a OpenAI não quer ser apenas fornecedora de modelos de IA para outras empresas de produtividade, mas sim disputar diretamente o mercado de ferramentas de escritório — território dominado há décadas pela Microsoft com o Office e, mais recentemente, também cobiçado pelo Google com o Workspace.

Para a Microsoft, a aposta é desconfortável: a empresa é a maior investidora da OpenAI e integra os modelos da parceira ao Copilot, mas agora vê a própria OpenAI construir um produto que compete de frente com o Word, o PowerPoint e o Teams. Para usuários corporativos, a promessa é reduzir a fricção de alternar entre chatbot e pacote de produtividade — mas a real adoção em ambientes empresariais, hoje presos a contratos de longo prazo com Microsoft e Google, ainda é incógnita.

A OpenAI não divulgou preços específicos para os novos recursos além dos planos de assinatura já existentes, nem uma data de expansão para todos os mercados.

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