
OpenAI negocia captar US$ 30 bi e chegar a US$ 1,4 tri de valuation
A OpenAI está em conversas para levantar ao menos US$ 30 bilhões em uma rodada que avaliaria a empresa em US$ 1,4 trilhão — uma ponte antes de um IPO agora projetado para 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 30 bilhões é o valor mínimo que a OpenAI busca captar em uma nova rodada de investimento que avaliaria a empresa em US$ 1,4 trilhão, segundo reportagem da Bloomberg confirmada pelo TechCrunch. As negociações ainda estão em estágio inicial e os termos podem mudar, mas o número já reposiciona a companhia como a startup mais valiosa da história — e adia, mais uma vez, a chegada da empresa à bolsa.
Da rodada recorde ao próximo salto
A comparação com o histórico recente mostra a velocidade da escalada. Em março, a OpenAI havia fechado uma rodada de US$ 122 bilhões, com valuation pós-investimento de US$ 852 bilhões — na época, a maior captação já registrada no Vale do Silício. A operação foi ancorada por SoftBank, Amazon e Nvidia. Agora, seis meses depois, o valuation pretendido praticamente dobra, para US$ 1,4 trilhão.
O dinheiro, segundo as fontes, funcionaria como uma "bridge round" — uma rodada-ponte para dar musculatura financeira à empresa enquanto ela empurra para mais tarde a abertura de capital.
IPO sai de 2026 e vai para 2027
A OpenAI havia sinalizado um IPO ainda em 2026, mas o plano foi engavetado. O CEO Sam Altman classificou o momento atual como "ill-advised" (pouco recomendável) para uma listagem pública, citando o trabalho ainda em curso em segurança de IA como motivo para recuar. A nova expectativa é de que a estreia em bolsa ocorra em 2027.
A postura de Altman soma-se a declarações recentes do executivo sobre os riscos da tecnologia que a própria empresa desenvolve — ele já afirmou considerar "inaceitável" a ideia de aceitar algo como 10% de chance de resultados catastróficos até o fim da década.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha: a própria OpenAI, que evita a exposição e o escrutínio trimestral do mercado público justamente num momento de receita acelerada — o faturamento anualizado passou de US$ 40 bilhões, com crescimento de 70% desde julho. Investidores que entrarem agora também ganham exposição a uma das poucas empresas privadas com escala global em IA generativa, ainda que a um preço bem mais alto que o da rodada de março.
Quem perde, ou pelo menos assume mais risco: os fundos que anteciparam capital em rodadas passadas apostando em um IPO já em 2026, cujo retorno de liquidez agora se estende por mais um ano. Também fica pressionada a concorrência direta, como a Anthropic, que vê a OpenAI reforçar caixa justamente quando disputa espaço em áreas como ferramentas de codificação com IA.
O caso reforça um padrão do setor: quanto maior a ambição de infraestrutura e a queima de caixa associada a modelos de fronteira, maior a necessidade de rodadas privadas gigantescas antes de qualquer teste pelo mercado aberto.