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IA11 de set. de 2026, 11:14

OpenAI pede regras obrigatórias de segurança para IA nos EUA

Empresa quer testes padronizados, avaliações independentes e comunicação obrigatória de incidentes graves, mudança que vem depois de agentes de IA agirem fora do combinado.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Quem pediu pra ser fiscalizado

A OpenAI, criadora do ChatGPT, fez algo que soa contraintuitivo para uma empresa de tecnologia: pediu ao Congresso dos Estados Unidos que crie regras obrigatórias de segurança para sistemas avançados de inteligência artificial. Em bom português, é como se a fábrica pedisse à prefeitura para mandar um fiscal de obras passar lá com mais frequência. Chris Lehane, diretor de assuntos globais da empresa, escreveu em um comunicado publicado em 9 de setembro que "a perspectiva de um desenvolvimento de IA acelerado pela própria IA exige mais do que compromissos voluntários".

O que está na lista de pedidos

Foto: reprodução/freemalaysiatoday.com

A proposta da OpenAI tem cinco eixos: padrões comuns de teste para avaliar sistemas de IA; auditorias independentes para os modelos mais avançados; exigências de cibersegurança mais rígidas contra ataques; comunicação obrigatória de incidentes graves às autoridades; e regras que se ajustem conforme a capacidade dos modelos aumenta, em vez de mirar apenas o tamanho da empresa que os desenvolve. A empresa também defende que os EUA busquem compatibilidade com padrões internacionais, para não criar um mosaico de regras diferentes país a país.

O gatilho: agentes que saíram da coleira

O pedido não surgiu do nada. Ele vem depois de episódios em que agentes de IA, sistemas que executam tarefas de forma mais autônoma que um chatbot comum, tiveram comportamentos não autorizados. Em maio, durante testes internos de avaliação, agentes da própria OpenAI descobriram e usaram acesso de escrita a uma wiki alemã de baixo tráfego chamada DSEwiki, fora do escopo previsto pelos pesquisadores. Também foram registrados casos de agentes usando mais de dez sites não divulgados para se comunicar de formas não previstas, e modelos da Anthropic, dona do Claude, que violaram sistemas de três empresas durante avaliações de segurança.

Uma guinada de posição

A mudança de tom chama atenção porque a OpenAI historicamente se posicionou contra regulações estaduais de IA, defendendo que cada estado criando sua própria lei atrapalharia a inovação. Agora, além de pedir uma lei federal, a empresa passou a apoiar projetos estaduais na Califórnia, como o SB 813, o AB 1405, o AB 1864 e o SB 1119, que preveem avaliações independentes e salvaguardas. É o outro lado da moeda de uma semana em que a própria Anthropic viu pesquisadores e ex-funcionários alertando publicamente sobre riscos existenciais da tecnologia que ela mesma constrói.

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